Michnê Torá de Rabi Mochê ben-Maimon

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Grandes Figuras do Judaísmo Hispano-Português

Os Grandes Filhos da Nação:

R. Jacob Castro

Dos grandes rabinos sefarditas da primeira geração que sucedera a expulsão dos judeus da Espanha. Nasceu no Egito, em 5205 (1525 - era ocidental) em uma importante família andaluza, cuja origem é da cidade chamada Castro, no meridiano espanhol.

Ainda em sua juventude, subiu à Terra de Israel, onde estudou na importante escola dirigida pelo importante rabino Levi ben-Ĥabib, e posteriormente, do famoso Radba"z (acróstico de Rabi David ibn-Zimrá). Ainda jovem, empeçou a escrever responsas em assuntos de halaká (pormenores concernentes ao cumprimento de cada preceito da lei judaica), pelo que se tornou conhecido pela profundidade alcançada em cada tema e pela capacidade lógica e racionalista de suas conclusões em cada assunto concernente à halakhá. Ao dezoito anos de idade já era reconhecido por suas capacidades pelo que nesta idade foi declarado rabino.

Nessa época tornou-se rabino do Cairo, e além de servir como rabino à comunidade judaica do Egito, abriu uma escola rabínica, e encabeçou-a, e dela saíram muitos sábios importantes para os sefarditas e judeus do oriente.

Ao visitar a Terra de Israel, esteve hospedado com o autor do Chulĥan 'Arukh, rabi Iossef Caro.

Durante os anos em que foi rabino no Egito, promulgou diversas classes de decretos comunitários, e foi tido como líder dos judeus egípcios não somente em assuntos religiosos, senão em questões gerais, políticas e sociais. Como juiz, dirigiu a vida dos judeus daquele país em restrita prática das regras éticas judaicas,

Em diversos pontos discordou das promulgações de rabi Iossef Caro no Chulĥan 'Arukh, e escreve sobre ele o rabino de Rachid, dentre os maiores rabinos do Egito, rabi David Gerechon: "...Procedemos segundo suas palavras (do rabino Castro) mesmo onde discorda de rabi Iossef Caro, pois é ele o maioral dentre os rabinos do Egito..."

Esteve o rabino Castro em diversas ocasiões discutindo assuntos de legislação judaica com os maiorais de seus dias, entre eles rabi Iossef Caro, rabi Mochê di Trani, r. Abraham Monson, e muitos outros. Compilou o livro "'Erekh Lêĥem" - comentário sobre todos os quatro tomos do Chulĥan 'Arukh - ainda antes que saísse à luz os escritos do rabino M. Isserles, da Polônia (mais conhecido como "Ram"á"), que compilou o "Mapat ha-Chulĥan", livro que vem defender o que era costumeiro na Europa entre os asquenazitas, contrapondo-se ao promulgado no Chulĥan 'Arukh em diversos pontos, até mesmo em casos em que o costumeiro na Europa contradizia o promulgado no Talmud.

Os maiorais dentre os rabinos de Jerusalém de sua época escrevem em diversas ocasiões sobre ele, lembrando suas palavras e promulgações, entre eles r. Samuel Garmizan, r. Ia'aqob Ĥagiz, r. Mochê ben-Ĥabib, e posteriormente, também rabi Ĥizqia de Silva. Também o rabino Mordochai ha-Levi da geração procedente à sua no Egito, escreve diversas vezes suas palavras em seu livro "Darkê No'am" (não confundir com o livro escrito pelo rabino Salomão de Oliveira, que tem o mesmo nome). Diversos escritos deste sábio sobre tratados talmúdicos jamais foram impressos, infelizmente. Entre os que foram impressos, está o intitulado "Toledot Ia'aqob", sobre o tratado Betsá, que ocupa-se especialmente das leis concernentes ao feriado hebraico (iom tob).

O rabino Azulai lembra seus manuscritos sobre outros tratados, e o rabino Chelomô Ĥazan, rabino de Alexandria, lembra seus escritos sobre o tratado Baba Qama, que eram dois grandes volumes. Seus discursos públicos feitos perante a comunidade do Cairo foram publicados no livro "Qol Ia'aqob", mas perdera-se ainda em manuscrito. O rabino Mochê Ĥagiz imprimiu no final do livro de seu pai, de responsas, intitulado "Halakhot Qetanôt", o livro "Hilkhot nezirut", do rabino Castro.

O grande rabino Castro faleceu aos oitenta e cinco anos de idade (em 1610), no Cairo.


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