Michnê Torá de Rabi Mochê ben-Maimon

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Grandes Figuras do Judaísmo Hispano-Português

Os Grandes Filhos da Nação:

|Rabi Saul Levi Morteira|

Dos sábios sefarditas de Amsterdam, nascido em Veneza no ano 1596 (5356). Ao completar seus 20 anos, uniu-se ao rabino Eliahu Montollatto - médico particular do rei da França - no ensejo do acompanhamento deste à herdeira do trono. durante sua viagem à Espanha, onde seria desposada pelo Rei Felipe IV.

havendo falecido o Rabino Montollatto no caminho, durante a viagem, transferira R. Saul Morteira seus restos mortais para Amsterdam, onde seria enterrado. A comunidade sefardita local elegeu-o como rabino e como discursor público ("matif")

Ensinara no Bet ha-Midrach kêter Torá, quando este foi fundado, estando entre seus alunos o Famoso rabino Moisés Zacuto, e o filosófo Barukh Espinoza.

O próprio rabino Morteira era doutor em filosofia, a qual usava em seus discursos de Torá trazendo ao público por forma de discussõs filosóficas o assunto relativo à eternidade do povo de Israel e de sua Lei, erigindo fortes barreiras de conhecimento em torno da comunidade, toda ela de pessoas que há pouco lograram escapar às garras da severidade da igreja católica e suas perseguições, estando ainda comparados em questão de conhecimento de judaísmo, prático, moral ou filosófico como conversos que agora escolheram esta religião, ou até menos, pois destes é exigido um pouco de estudo - e, dos anussim (naquela época!), não, encontrando-se volúveis ao novo espírito tolerante cristão calvinista dos Países-Baixos, e que tentavam encontrar ouvidos para suas pregações contra a Lei Oral, ou acerca da comprovação do que é um cristianismo veraz, o protestantismo, que "não adoram ídolos nem perseguem aos hebreus, como os idólatras católicos", blandícias missionárias,enfim, como conhece todo judeu que já deu de cara com o missionário evangélico preparado para converter judeus, como alguns grupos já bem conhecidos que atuam até mesmo em Israel (talvez principalmente,após acharem as portas abertas!).

De quinhentos discursos seus - seus alunos imprimiram somente a décima parte - cinquenta - sobre vários tipos de assunto, ordenados de acordo com as porções semanais de leitura da Torá nas sinagogas no sétimo dia, e o livro foi intitulado: "Gibe'át Chaul".

Rabi Morteira - também filósofo - e não como querem fazer parecer hoje alguns reformistas e outros, que fazem parecer que "a ignorância rabínica fora a causa da excomunga de Espinoza", desconhecendo o fato de que tal "ignorância" jamais existira entre os judeus sefarditas (ibéricos), em todas as épocas, sendo a verdade oposta: falta de conhecimento de Espinoza do Talmud profundamente, dos problemas da mu'utálizah e dos mitkalmin - seitas filosóficas muçulmanas do final do período dos gueonim babilônios e demais filósofos hebreus de renome da era islâmica espanhola, pois várias de suas questóes encontram-se em questionamento já antes que este houvesse vindo ao mundo em livros como o Morê Ha-Nebokhim, ou Emunôt veDeôt, de grandes filósofos israelitas, e líderes renomados.

Compilou ainda alguns livros em defesa da fé de Israel, escritos em estilo de discussão entre crentes na Torá e pessoas que dela se desfazem, cada um trazendo seus motivos, parecido com o que escrevera o grande rabino italiano em defesa da cabalá - rabi Moisés Ĥaim Luzzatto.

Este gigante lutador, amante de seu povo, cuidadoso com seus irmãos - falecera no ano 1660 da era comum ocidental, esperando pela ressurreição final quando o Criador quiser que esta ocorra.


Michnê Torá de Rabi Mochê ben-Maimon

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