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Capítulo 5


, -- , : , . 1 Da mesma forma como o sábio é reconhecido por sua sabedoria e por sua índole, sendo separado dos demais, igualmente - é necessário que seja reconhecido por seus atos, por sua forma de comer, por seu modo de beber, por seu relacionamento marital, por suas maneiras concernentes às necessidades fisiológicas, por sua forma de falar, por seu andar, por seu vestir, pelo conteúdo de suas palavras e por seus negócios.

-- , , . , ; , " -, " ( ,)-- , . 2 Como assim? - o sábio não deve ser comilão e beberrão, senão come o alimento que é-lhe saudável, e não come dele exageradamente. Não estará perseguindo o empanturrar-se, como os que se enchem de comida e bebida até que se inche sua barriga, sobre os quais está escrito na qabalá: "...Lançarei excremento em vossos rostos, excremento de vossas festas..." - Ml 2:3 - disseram os Sábios: "Estes são os que comem e bebem, fazendo todos seus dias como festas!"

" , " ( ,). ; , " -, , , " ( ,). , ; , "--, " ( ,). 3 São os que dizem: " - Coma e beba, pois amanhã morreremos!" - Is 22:13 - esse é o alimentar-se dos iníquos. Essas mesas são as que delas desdenhara o escrito, dizendo: "Pois todas as mesas encheram-se de vômito, de excremento, sem [restar] lugar [vazio]." Quanto ao sábio - este não come a não ser um cozido ou dois, e come dele somente o que necessita para manter-se vivo, e basta. É o que disse Salomão: "O justo come para a satisfação de sua alma!" - Pv 13:25.

[] , . , ; , . , . ; , -- , . , . 4 Ao comer o sábio este pouco que é-lhe suficiente,não deve comê-lo a não ser em sua própria casa, em sua [própria] mesa, não em lugar público nem em restaurante, a não ser em caso de extrema necessidade, para que não se desonre perante as pessoas em geral. Não deverá comer entre as pessoas cujo conhecimento de Torá é parco, nem entre os [citados acima,] cujas mesas são repletas de vômito e excremento. De qualquer modo, não deverá aumentar o quantidade de suas refeições, mesmo entre os sábios. Jamais coma em refeições nas quais haja grande ajuntamento de pessoas, não sendo apropriado que coma senão em refeições de cunho espiritual, como refeição de casamento - e no caso de que sejam de um sábio que tomara por esposa a filha de outro sábio. Os justos e os ĥassidim da antiguidade jamais comiam em qualquer refeição que não fosse deles mesmos.

[] , . , ; , . , , , . 5 Ao tomar vinho, o sábio não toma a não ser para ajudar ao digerir do alimento que já encontra-se em seu estômago, e todo o que se embriaga é pecador e desonrado e perde sua sabedoria. Caso embriague-se perante a gente comum, de parco conhecimento de Torá, profana o Nome de Deus. É-lhe proibido beber ao meio dia, mesmo em pouca quantidade, a não ser durante uma refeição - pois a bebida durante a alimentação não causa embriaguez, não sendo necessário cuidar-se senão do vinho que vem após o alimento.

[] , : , , . , , -- , . 6 Apesar que a mulher é permitida a seu esposo sempre, é consentâneo que o sábio proceda sempre em santidade: não se ache sempre com sua esposa, como se fosse um galo [em busca de suas galinhas], a não ser de uma noite de sábado para outra, caso tenha força para tanto. E, quando "conversar" com ela, não faça-o nem no começo da noite, quando encontra-se satisfeito e sua barriga está cheia - nem no seu fim, quando está faminto - senão no meio da noite - quando digerir-se o alimento que encontra-se em seu corpo.

, , ; , " -" ( ,)-- , , . 7 Não deverá ser demasiadamente desrepeitoso, nem sujar sua boca com palavras torpes, mesmo entre ele e ela. Está dito na qabalá: "...Revela ao homem sua conversa (proferida em secreto)..." - Am 4:13 - Disseram os Sábios: "Até mesmo uma conversação leve entre o homem e sua mulher - sobre ela virá a dar conta em juízo!"

, , ; . ; , -- , . , ; , . 8 Não estarão ambos embriagados, nem ociosos, nem nervosos; nem sequer um dos dois. E, não esteja ela adormecida. Nem tampouco a force, se ela não quer - senão seja por boa vontade de ambos, e em sua alegria. Deve conversar com ela um pouco [antes], e brincar um pouco, para que se tranquilize ele. Faça-se tudo com pudor, e não audaciosamente, e termine rápido.

[] -- , , ; -- , . , -- . 9 Todo o que procede assim - não somente santifica sua própria alma, aperfeiçoando seu modo de ser, senão também seus filhos serão bonitos e avergonhados, prontos para ser sábios e ĥassidim. Quanto aos que agem segundo a forma de agir geral - seus filhos serão [comuns,] como os dos demais.

[] : , . , , , . , ; , , , . , . , . , . 10 Grande é a modéstia costumeira entre os sábios: não permitem-se a si mesmos chegar ao vexame, nem descobrem sua cabeça ou seu corpo. Mesmo ao entrar ao recinto designado para suas necessidades fisiológicas, são modestos - não despem-se até sentar-se, e não limpam-se usando a mão direita. Buscam distanciar-se de toda pessoa, entrando nos recintos mais interiores da caverna, onde faz suas necessidades. Caso faça atrás do muro, busca distanciar-se o necessário, evitando que alguém ouça qualquer ruído (lit. fig. = "espirro") que possa emitir. Caso facça-o no vale, distancia-se para que não veja alguém seus desordem. Não conversa ao fazê-lo, mesmo por grande necessidade. Do mesmo modo como faz de dia com sua modéstia no recinto, assim também à noite. E, deve acostumar-se sempre toda pessoa a fazer suas necessidades pelo amanhecer e pelo anoitecer, para que não necessite distanciar-se.

[] -- , ; , . , . , . -- , . , . 11 O sábio não deve gritar ou berrar em suas conversações, como um animal. Tampouco fale demasiadamente alto, senão seja seu falar agradável para com todas as pessoas. E, ao falar agradavelmente - tenha cuidado para não distanciar-se, que não estejam suas palavras assemelhadas às dos orgulhosos. Antecipa a saudação a todas as pessoas, para que seja sempre agradável às pessoas, deixando-as satisfeitas consigo. Procura ver sempre as pessoas por suas boas qualidades, nunca buscando julgá-las por seus defeitos, sempre elogiando, jamais, seja em que caso, criticando algum feitio dos demais. Ama a paz, e persegue a paz.

, ; , . : , ; , . . , . 12 Caso haja visto um local onde suas palavras servem de ajuda, fala; caso não, cala-se. Como assim? - [Por exemplo,] não tente apaziguar as pessoas durante seu momento de ira, nem pergunte sobre seus juramentos na mesma hora na qual jurou, até que se acalme e descanse. Tampouco console-o quando o morto está diante dele, pois encontra-se quebrantado demasiadamente até o enterro. Assim, todas as demais situações semelhantes a estas. Não compareça perante seu conhecido no momento em que este ache-se em mau proceder,(Cap. 6, 8...) senão faça como se não houvesse percebido sua presença.

, . -- , , . , . 13 Não mude sua palavra, nem aumente nem diminua, a não ser em palavras de paz, ou semelhantes. Regra geral: não se fala a não ser sobre fazer o bem, sobre sabedoria ou semelhantes. E, não converse com nenhuma mulher em lugar público, mesmo com sua esposa, sua irmã ou sua filha.

[] , " , " ( ,); , " , " (). 14 Não ande o sábio com o corpo erguido e com o pescoço levantado, conforme está escrito: "...andaram de pescoço erguido, revirando os olhos..." - Is 3:16 - , tampouco com um calcanhar atrás do outro, suavemente, como as mulheres e os [nobres] orgulhosos, conforme está escrito: "...andando a passos exatos, fazendo soar os ornamentos de seus pés." - Is 3:16.

, . ; , . 15 Não corra nos locais públicos, agindo como um possesso de loucura. Tampouco com o corpo agachado, como os corcundas. [A forma correta, é andar] olhando para o chão, como quando encontra-se na oração, andando normalmente, como uma pessoa ocupada com seus negócios.

, , ; , "- , ; , " ( ,)-- . 16 Também no andar da pessoa se reconhece se sábio é e virtuoso, ou pascácio e alienado, e assim disse Salomão por sua sabedoria: "Também ao andar pelo caminho o estulto, falta-lhe o coração, e diz a todos [seu modo de caminhar que] é um estulto!" - Ec 10:3.

[] , ; . , , , -- . 17 A indumenta do sábio deve ser bonita e limpa, sendo proibido que se encontre em sua roupa mancha qualquer, ou pinta de óleo, ou algo parecido. Não vista-se com roupas de reis, como roupagens [enfeitadas] com ouro e púrpura, que atraem os olhares de todos; tampouco com roupas pobres, que causem desdém aos que as vestem - senão indumentas medianas e bonitas.

, . , , ; , . , , , . , ; , . 18 Não esteja sua pele transparecendo sob a roupa, como ocorre com as vestes de linho, as mais leves delas, como as fabricadas no Egito. Tampouco sejam roupagens longas, cujas pontas se arrastam pelo chão, como as roupas dos [nobres] orgulhosos, senão [simplesmente] até os calcanhares, estando as mangas do vestuário alcançando a ponta dos dedos. Não abaixe sua roupagem superior, por assemelhar-se aos orgulhosos [da nobreza], a não ser no sábado, caso não tenha outra roupa para trocar. Não calce sapatos remendados, como roupa remendada - uma remenda sobre a outra - durante o verão [e estações similares]. Mas no inverno, é-lhe permitido, caso seja pobre.

, ; . , . , . , . 19 Não saia perfumado à rua [ou à praça]. Porém, se untou-se com perfume para desfazer-se da asquerosidade, é permitido. Similarmente, não saia sozinho à noite, a não ser no caso de que tenha hora marcada para estudo, e tudo isso - para evitar a suspeita.

[] , , , . 20 Um sábio - economiza seus bens com justiça, comendo e bebendo e alimentando aos de sua casa de acordo com suas posses e seu êxito [em seus negócios], sem obrigar-se a si mesmo exageradamente.

, , "- " ( ,). ; , . 21 Ordenaram os Sábios acerca do bom proceder que não coma-se carne a não ser pelo apetite, conforme o escrito: "Quando desejar tua alma o comer carne..." - Dt 12:20. É suficiente para o homem sadio que coma carne uma vez a cada semana, na véspera de sábado. Se é rico, entretanto, que possa comer carne todos os dias, que coma.

, , ; , . 22 Ordenaram os Sábios: "Sempre coma o homem menos do que pode por seu dinheiro, vista-se conforme o que pode, e honre a sua esposa e filhos mais do que pode!"

[] , , , -- "- - , ... - ... - " ( ,-). 23 O proceder das pessoas de consciência - buscam para si uma profissão que seja fonte pecuniária, antes; após isto, adquire para si uma casa para habitação, e [só depois] busca tomar para si uma mulher [por matrimônio], conforme está escrito: "Quem é o homem que plantou uma videira, e não desfrutara dela...construiu uma casa nova...tomou para si uma mulher..." - Dt 20:5,7.

, , , ; , " ... ... " ( ,)-- , . , " -, ; ', " ( ,). 24 Quanto aos pascácios - principiam [assim]: primeiro, tomam para si uma mulher, depois, se conseguir, adquire uma casa, e semente após, quando já estiver no fim de seus dias - buscará uma profissão, ou viverá da esmola. Assim está escrito nas maldições: "mulher tomarás..., casa construirás,...videira plantarás" - Dt 28:30. Quer dizer: "Serão teus feitos ao contrário [da ordem correta, propositalmente], para que não tenhas sucesso em teus caminhos. Quanto à bênção, está escrito: "E, foi David por todos seus caminhos, [agindo] prudentemente, e Deus [estava] com ele!" - 1 Sm 18:14.

[] , . , ; , ; , . : -- , . 25 É proibido desapropriar ou designar para santificação todos seus bens, ocupando [por isto] aos demais. Tampouco pode vender a seu campo e comprar uma casa [com o dinheiro do campo], ou vender uma casa e comprar móveis ou empregar o dinheiro em negócios. Mas, pode vender os móveis para comprar uma casa [com o dinheiro proveniente disto], ou campo. Regra geral: deve ter por meta o êxito de seus bens, não emblezar-se por um pequeno espaço de tempo, ou ter um pouco de bem-estar, perdendo muito para tanto.

[] , : , . , ; , . . , . 26 As negociações dos sábios devem ser efetuadas com verdade e com fé: fala não sobre o que dissera "não", e "sim" sobre o que já afirmara, [confirmando], colocando para si mesmo a exatidão das contas, dando e desfazendo-se para os demais do que é seu, quando deles compra, sem ser duro para com eles como é consigo mesmo. E, paga sempre imediatamente ao comprar. Jamais se põe como fiador ou empreiter, e não venha a depender de concessões.

, , , . , ; , . , . 27Obriga-se a si mesmo [colocando-se como devedor,] em coisas nas quais a própria Torá não obriga, no que concerne aos negócios, para que possa manter sua palavra, sem jamais cambiá-la. Se outros se fizeram devedores para consigo, estando consigo a razão, deverá ser paciente com eles, e mesmo perdoar-lhes sua dívida. Empresta, e tem piedade. Jamais entra no setor da profissão de outro, evitando causar angústia a quem quer que seja durante toda sua vida.

-- , ; , . , " , ---, - " ( ,). 28 Regra geral: Seja dos perseguidos, não dos perseguidores; dos insultados, nunca dos que insultam. Todo o que agir de acordo com esses atos, e semelhantes a esses, sobre ele diz o escrito: "Meu servo és tu, ó Israel, no qual me glorifico!" - Is 49:3.


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