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Capítulo 2


-- , , , . : , , , -- . ", -, , " ( ,). 1 Como é a "techuvá" perfeita? - alguém que havendo chegado a si [determinada situação na qual se depare com] algo no qual transgredira, e está em suas mãos o poder de fazê-lo, e afastou-se, deixando de fazer [o erro], [unicamente] por haver se arrependido e decidido [já] a abandonar o mau caminho, não por temor, ou por fraqueza. Como [por exemplo]? - alguém que haja mantido relações com uma mulher em transgressão, e após algum tempo veio a estar a sós com ela, estando ainda em seu amor por ela, e seu corpo potente, na mesma localidade onde efetuara tal transgressão, e afastara-se, sem transgredir [novamente], este é um "ba'al techuvá" perfeito. É o que disse Salomão: "Lembra-te de teu Criador nos dias de tua mocidade..." - Ec 12:1.

, -- , . , -- : " - " ( ,), -- , . 2 Se, porém, arrependera-se e deixara seu mau proceder somente nos dias de sua velhice, ou quando já não havia possibilidade que fizesse o que fazia antes, apesar de não ser a melhor forma de arrependimento e abandono do mau caminho, [ainda assim] serve-lhe tal, e é [assim mesmo] um "ba'al techuvá". Mesmo havendo transgredido [durante] todos seus dias, havendo arrependido de seus maus atos, deixando-os no dia de sua morte, morrendo em sua [nova] situação de "techuvá", todas suas transgressões são-lhe perdoadas, conforme está escrito: "Enquanto o sol não tornar-se em trevas..." - Ec 12:2.

[] -- , , " , " ( ,). , "- , , , -" ( ,); , "- , ---, " ( ,). , . 3 Que é "techuvá"? - que abandone o malfeitor seu erro, ablando-o de sua mente e tomando a decisão em seu coração de jamais fazê-lo novamente, como está escrito: "Abandone o iníquo seu caminho, e o malfeitor seus [maus] pensamentos..." - Is 55:7. Assim também, que arrependa-se pelo passado, como está escrito: "Pois após tornar-me, me arrependi, e após dar-me a conhecer, golpeei a coxa..." - Jr 31:18. E testemunhará sobre este o Conhecedor do Oculto que não tornará a tal erro jamais, como está escrito: "...Não mais diremos: "Nosso deus" - às obras de nossas mãos - "que em ti encontrará consolo o órfão..." - Os 14:4. E é necessário confessar sua má ação por seus [próprios] lábios, e proferir estas cousas acerca das quais tomara resoluções em seu coração.

[] , -- , , , ; " , " ( ,). , ", , , " ( ,). 4 Todo o que confessa por palavras e não tem em seu coração a decisão de abandonar [seu mau proceder], é comparado a uma pessoa que imerge em águas de miqvá [no intuito de purificar-se] tendo em suas mãos um réptil [dos oito tipos transmissores de impureza], cuja imersão não lhe serve de nada enquanto não lançar de si o réptil. Assim está dito: "...o que confessa e abandona [seus maus atos] terá misericórdia." - Pv 28:13. É preciso confessar detalhadamente o erro [cometido], como está escrito: "Rogo! Este povo cometera um grande erro, fazendo para si deidade de ouro..." - Ex 32:31.

[] ', , , . , ; , . -- , . 5 Das formas de agir concernente à "techuvá" é estar o arrependido sempre clamando perante Deus com choro e súplicas, dando esmola segundo sua capacidade, distanciando muitíssimo do erro no qual errara. Muda seu nome, como que dizendo: " - Sou outro, não mais aquele que fazia tais coisas!", e muda todos seus feitos para o bem, e para o caminho reto. Exila-se de seu lugar - pois o exílio traz expiação pela iniquidade, pois faz com que a pessoa se renda [perante Deus], levando-o a tornar-se humilde, e mais que humilde.

[] , , , . , -- , " , " ( ,). 6 É louvável grandemente o que torna em "techuvá" e faz público suas culpas, revelando suas transgressões que haja cometido entre si, seu próximo e outras demais pessoas, dizendo: " - Realmente, fiz mal a fulano, ao fazer isto e aquilo, e eu hoje torno de meu mau proceder, arrependido!" Quanto a todo o que se orgulha e não revela, ocultando suas culpas, sua "techuvá" é imperfeita, como está escrito: "O que cobre suas culpas, não terá êxito...!" - Pv 28:13.

, . -- , : , , , . , " -; " ( ,). 7 Em que caso [deve tornar público seus erros]? - Em casos que haja feito contra pessoas. Mas, coisas que são entre si e Deus, não é necessário tornar público. E, é [imputado] à pessoa que o faz [como sendo] audácia o revelar [suas transgressões pessoais]. Senão, deve tornar-se perante Deus, detalhando [explicitamente] seus erros perante Ele, confessando acerca deles perante o público sem detalhes, e é-lhe um bem [divino] o não vir suas culpas a serem reveladas, como está escrito: "Feliz o perdoado, cujas culpas ficaram encobertas..." - Sl 32:1.

[] , , , " ', ; , " ( ,). , ; -- , "' , - " ( ,). 8 Ainda que em todo o tempo seja bom para a "techuvá" e o clamor, nos dez dias que encontram-se entre "roch ha-chaná" e "iom kipur" é melhor [que em qualquer outra época], sendo aceita imediatamente, conforme está escrito: "Buscai a Ado-nai quando possa ser achado, chamai-o, quando encontrar-Se na proximidade..." - Is 55:6. Em que caso? - concernente à pessoa em particular. Quanto ao público, todo o tempo no qual façam "techuvá", clamando com plenitude de coração, são respondidos, como está escrito: "...Como Ado-nai, nosso Deus, todas as vezes que por ele clamamos..." - Dt 4:7.

[] -- , , ; , . , . , ; , , , . --, ; , . 9 O "iom kipur" é tempo de "techuvá" para todos - tanto para as pessoas em particular como para o público - sendo o selamento de perdão e limpeza de culpa para Israel; portanto, todos devem fazer "techuvá" e confessar-se no "iom kipur". Quanto ao preceito de confissão do "iom kipur" - é que principie a fazê-lo ainda na véspera, antes de comer, evitando que se sufoque na refeição antes de haver-se confessado. Apesar de já haver-se confessado antes de comer, deve tornar a confessar-se na noite de "iom kipur", na oração noturna ('arvit), e torna a confessar-se na oração matutina (chaĥrit) e na oração [que se segue, chamada] "mussaf", e na oração vespertina (minĥá), e na oração [que procede a ela,] "ne'ilá". Onde se faz a confissão [na oração]? - a pessoa particular, após [o término de] sua oração; o "chaliaĥ tsibur", no meio da oração, na quarta bênção.

[] -- . . ., . -- , : "-, ; " ( ,). 10 A confissão que é costume geral de todo o povo de Israel - "...Aval ĥatánu kulánu..." ("...Mas, erramos todos nós...") - é o principal da confissão. Transgressões sobre as quais a pessoa se confessou em um determinado "iom kipur", deve tornar a confessar em outro "iom kipur", mesmo que esteja firme em sua "techuvá", conforme está escrito: "pois de minhas culpas - sou consciente, e meu erro está permanentemente perante mim!" - Sl 51:5.

[] , . , -- , , . 11 Tanto a "techuvá" quanto o "iom kipur" - não expiam senão transgressões que estejam entre a pessoa e Deus, como por exemplo, alguém que ingeriu algo proibido, ou teve alguma relação sexual proibida, e semelhantes. Mas quanto a transgressões que sejam entre a pessoa e seu próximo - como alguém que haja golpeado a outra pessoa, ou injuriado, roubado ou semelhantes - não é perdoado, enquanto não der a seu próximo o que lhe deve, e seja perdoado por ele.

, ; , . 12 E, apesar de haver devolvido o dinheiro que lhe deve, precisa conquistar a seu coração, e pedir-lhe perdão, até que este o perdôe. Mesmo que não haja ofendido a seu próximo senão [unicamente] por palavras, precisa fazer a paz com ele, e ir a seu encontro, até que este dê-lhe o perdão.

-- , . , . , ; , . -- , . 13 Se não quiz seu próximo perdoá-lo - - precisa trazer um conjunto de três pessoas dentre seus amigos, encontrar à pessoa e pedir dele [o perdão, estando em conjunto]. Não aceitando-os, traz um segundo [novo] grupo, e um terceiro. Se não quiz perdoar - deixe-o, e se vá, e este que não perdoou, ele é o feitor do erro. Tratando-se de seu rav - deve ir e voltar [a ele para receber seu perdão] até mil vezes, até que este o perdôe.

[] , , , ; , . , . , " " ( ,); , " " ( ,). 14 Pois é proibido que seja a pessoa cruel, que não possa ser seu coração conquistado, ao contrário, deve ser fácil para aceitar aos demais, e difícil em irar-se, e no momento que pede dele o ofensor o perdão, perdoa de todo o coração, e com alma contente. E mesmo que este haja-lhe causado muita tristeza e feito-lhe muito mal, não seja vingativo e rancoroso. Esta é a forma de agir da semente de Israel, e seu coração aperfeiçoado. Quanto aos gentios, incircuncisos de coração - não são assim, senão "...sua ira se guarda para sempre" - Am 1:11. E assim está dito pelo profeta [Samuel] acerca dos gibeonitas, por não haverem perdoado, nem serem aplacados [em sua ira]: "...Os gibeonitas, não eram dos filhos de Israel..." - 2Sm 21:2.

[] , -- , ' . , ; -- , . 15 Quem haja feito mal a seu próximo, morrendo este antes que se pedisse dele o perdão - deve trazer dez pessoas até sua sepultura, e dizer perante eles: "Errei, contra Ado-nai, Deus de Israel, e contra este fulano, fazendo-lhe tal e tal...!" Em caso de dívida financeira - deve transmití-la aos herdeiros. No caso de este não ter herdeiros - deve depositar a soma no tribunal [de Torá], confessando-se.


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