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Capítulo 4


, ; --, . 1 Esses quatro elementos - o fogo, a água, o ar, e a terra, são os fundamentos de todos os seres criados sob o firmamento, sendo que tudo quanto há desde os seres humanos até o animais, as aves, o répteis e os peixes, vegetais, metais, pedras e pedras preciosas e pérolas, bem como as demais pedras usadas nas construções, e os montes e os torrões - tudo tem sua origem material formada a partir desses quatro elementos.

, , , ; , . 2 Temos, então, que todos os corpos existentes sob o firmamento, exceto estes elementos, são [fruto da] união de matéria e forma, sendo sua matéria [fruto da união] destes quatro elementos. Porém, qualquer destes quatro não é senão matéria e forma unicamente.

[] , ; , -- , . , . 3 A característica do fogo e do ar é mover-se desde abaixo do centro da Terra para cima, até o firmamento; quanto à terra e à água, movem-se para baixo, em direção ao centro, sendo o centro do firmamento o "abaixo" que não há abaixo dele. Não se movem nem conscientemente, nem voluntariamente, senão por ação contínua que lhes fora determinada, e por natureza que os caracterizam.

, ; ; ; , . , ; , ; . 4 A natureza ígnea - é ser o fogo quente e seco, sendo dos quatro o mais leve. Quanto ao ar - é ele quente e úmido. A água - fria e úmida, sendo a terra seca e fria, e a mais pesada dentre eles. A água é mais leve que ela, pelo que se acha sobre a terra; o ar, mais leve que a água, pelo que paira sobre sua superfície; e, o fogo, mais leve que o ar.

, , ; , . , ; , . 5 Por serem eles os fundamentos de todos os corpos que encontram-se abaixo do firmamento, acha-se todo corpo - desde o homem até o animal caseiro e campestre, aves, peixes, metais, vegetais e pedras - sua matéria composta de fogo, água ar e terra, mesclando-se os quatro e sofrendo certa mudança durante sua mesclagem, até que seja o composto deles sem semelhança alguma a qualquer um deles no momento de sua mistura. E, não há em todos os que existem a partir de sua mistura nem uma pequena porção que seja fogo somente, ou somente água, ou terra, por si só, ou ar, sozinho ele. Ao oposto, todos se transformam, tornando-se um corpo único.

, . , ; , . 6 Cada um dos corpos formados pelos quatro elementos, achar-se-á nele frio, calor, umidade e sequidão a um só tempo. Mas, alguns destes corpos são mais fortalecidos pelo fundamento do fogo, como os possuidores de alma viva, portanto se vê neles mais calor. Outros, têm sua vitalidade do fundamento da terra, como as pedras, pelo que se vê nelas muita sequidão.

, , . , ; , . , , , , . , . 7 Por isto, achar-se-á um dos corpos quentes que será mais quente que outro, [apesar de ser este] também quente, e um corpo seco mais que outro [de mesma classe] dos secos. Igualmente, em [outros] corpos se achará somente a algidez; outros, somente a umidade. [Outros] corpos [ainda] ver-se-á neles a algidez e a sequidão a um único tempo e equiparadas, ou o calor e a umidade equiparados. Se acordo com a maior parte do fundamento que estiver no princípio da miscelânea, ver-se-á a ação do dito fundamento, bem como sua natureza no corpo formado.

[] , . , ; -- , : , . 8 Todos os formados destes elementos, eles separar-se-ão dele ao fim. Alguns, após poucos dias; outros, após muitos anos. Quanto a tudo o que for deles formado, mesmo o ouro e o rubi: é impossível que não se desfaçam e voltem a seus fundamentos, tornando um pouco para o fogo, um pouco para a água e outro pouco para a terra.

[] , "- " ( ,)-- . , , ; , , . . 9 Já que todos os [elementos que formam o corpo] que se separam fazem-no para estes [mesmos elementos, que são sua origem], por que está escrito sobre o homem "ao pó da terra voltarás!"? (Gn3:19) - por ser a maior parte de sua formação da terra. Outrossim, nem todo o que se destrói volta para os quatro elementos imediatamente, senão se transforma antes em outra coisa, e depois para outra, e ao final, volta para seus fundamentos. Assim, todas as coisas voltam para suas origens.

[] , --, . : , ; , ; , . , ; , ; , . 10 Esses quatro elementos transformam-se de um para outro permanentemente todos os dias e toda hora - parcialmente, não totalmente. Como assim? - a terra que se acha na proximidade de águas cambiam-se e se trituram, transformando-se em água, do mesmo modo que a água nas cercanias do vento, se transformam, se evaporam e se transformam em ar. Igualmente o ar, pouco dele próximo à água se transforma e torna-se água. Igualmente, pouco da água próximo à terra se transforma, tornando-se terra.

, ; , . ; , . 11 Essa transformação se dá pouco a pouco, e de acordo com a duração dos dias. Tampouco se transforma todo o elemento até transformar-se toda a água em ar, ou todo o ar em fogo, pois é impossível que se anule um dos quatro fundamentos, senão pouco se transforma de fogo em ar, e outro pouco de ar em fogo. Assim também, entre um e outro achar-se-á a mudança entre os quatro, e seu retorno [ao que era antes].

[] , . , . 12 Tal mudança ocorre por influência do contorno da esfera, e através de seu movimento se unem os quatro transformando-se nas demais classes de matéria crassa: humana, alma viva, vegetal, pedra e metal. Deus concede a cada elemento [material crasso] sua forma através do décimo anjo, que é a forma [espiritual] chamada "Ichim".

[] , . -- , , , . , , , . 13 Jamais pode ser vista maéria sem forma, ou forma sem matéria. O homem, porém, por sua compreensão; é que tem capacidade para distinguir o corpo que encontra-se em sua imaginação, sabendo que ele é formado de matéria crassa e forma, e sabe que há corpos que são formados pelos quatro elementos, e corpos cuja matéria é simplória, não sendo formado por outro tipo de matéria [, senão de uma, apenas]. Quanto às formas que não dispõem de matéria, são invisíveis aos olhos carnais, somente podendo ser vistas pelos olhos do coração, assim como sabemos do Senhor do Universo sem vê-lo por nossos olhos.

[] , . , ; " " ( ,), , . , , . 14 A Alma de toda carne é a forma que fora-lhe concedida por Deus, e o intelecto que se encontra [somente] na alma do ser humano, ele é a forma do homem perfeito, [que alcançara sua perfeição em aquisição de conhecimento,] sobre a qual foi dito na Torá: "...Façamos o homem à Nossa imagem e à Nossa semelhança..." - Gn 1:26. Significa: Que tenha ele uma forma que tenha intelecto, e que possa alcançar o conhecimento e as virtudes, que são imateriais, até que se assemelhe a elas. Não está escrito isto sobre a forma visível aos olhos, que é composta de boca, nariz, mandíbulas e demais características faciais, cujo é feição.

, . -- , . , ; , : , . 15 Não é [portanto,] a [mesma] alma comum a todo ser vivo, que por seu intermédio come, bebe, procria, sente e pensa, senão a virtude, que é a forma da alma, e o escrito se refere à forma da alma. Às vezes, chamar-se-à esta forma "alma"; e, às vezes, "espírito". Por isto, faz-se necessário ter cuidado com os nomes, evitando o engano, sendo cada um dos nomes indicando particulariedade outras, de acordo com o nome.

[] , , , ; ', . , , , -- , , , . , " -, ; , - " ( ,). 16 Esta forma espiritual não é formada pelos elementos, para que se descomponha, tampouco provém da nechamá (alma = força vital do corpo - não confundir com nêfech - que é a essência espiritual que retorna a Deus para ressuscitar quando chegar o tempo determinado), necessitando dela para subsistir, assim como a nechamá (força vital) necessita do corpo para existir, senão de Deus, dos céus ela provém. Portanto, quando se descompor a matéria, que é formado dos quatro fundamentos, e perda-se a nechamá, por não achar-se a não ser com os corpos, necessitando deles para todas suas ações, não perecerá esta forma, por não necessitar do corpo em suas ações como a nechamá - sendo capaz de conhecer e alcançar as virtudes ou boas formas de agir, que são separadas dos entes materiais, e é conhecedora do Criador de tudo, sendo eterna. É o que foi dito por Salomão em sua sabedoria: "Volta ao pó da terra, como era anteriormente; e, o espírito, torne a Deus, que o deu!" - Ec 12:7.

[] , ; , . , . , , . 17 Tudo o que foi dito sobre estas cousas, é como uma gota de água de um balde, sendo elas mui profundas. Entretanto, não são tão profundas como o assunto do primeiro e segundo capítulo. O esclarecimento de todas estas coisas que figuram no terceiro capítulo e quarto, é o chamado "ma'assê brechit" - "o feitio do princípio da criação". Assim ordenaram os Sábios da antiguidade, que não se ensine estas coisas em público, senão para uma pessoa única transmite-se este conhecimento e ensinam-no.

[] -- , , , ; , , , . , . 18 Qual a distinção entre "ma'assê brechit" e "ma'assê merkabá"? - "Ma'assê merkabá", mesmo a um pessoa única não se ensina, a não ser no caso de ser um sábio que entende por si, que a este se transmite "incunábulos de capítulos" relacionados ao assunto; quanto ao "ma'assêbrechit", pode-se ensiná-lo à pessoa em particular, apesar que este nã entenderia por si mesmo, fazendo-o saber tudo o que possa assimilar acerca destas cousas. E, por que não se pode ensinar publicamente? - pelo fato de nem toda pessoa ser dotado de capacidade intelectual desenvolvida para alcançar a compreensão das explanações destas cousas em sua plenitude.

[] , , -- , ; , , , . , , . 19 Quando a pessoa medita nestas cousas e conhece a todos os entes criados, desde o anjo à esfera, o homem e tudo o que se assemelhe, e vê a Sabedoria do Santo, Bendito é Ele, aumenta em si o amor a Deus, tornando-se sua alma sedenta e desejosa de amá-lo mais e mais. Temê-lo-á por sua pequenez pobreza e insignificância, ao comparar-se a si próprio aos grandes corpos sagrados, quanto mais às formas puras, separadas da matéria crassa, que em nada foram formadas a partir dela. Achar-se-á como um utensílio repleto de vergonha e vexame, vazio e falto.

[] -- , : , . 20 Os assuntos que constituem estes quatro capítulos que compõem estes cinco preceitos é o cogominado pelos Sábios de "PARDÊS (=pomar; jardim, bosque), conforme disseram: "Quatro entraram a passear no bosque..." - Apesar de serem eles grandes Sábios, nem todos dispunham de capacidade para saber e para alcançar estes pormenores perfeitamente.

, ; , . , , , ; , : , , . -- , , . 21 Pelo que eu digo que não é apropriado passear pelo "bosque" senão quem haja enchido seu "organismo" de "pão" e de "carne". Este "pão" e esta "carne" é o saber o esclarecimento do permitido e do proibido, e assim por diante, em concernência a todos os demais mandamentos. E mesmo assim, "pequena coisa" foi chamado pelos Sábios, pois assim disseram: " 'Grande coisa' - "ma'assê merkabá"; 'pequena coisa' - realizações de Abaiê e de Rabá." Mesmo assim, é apropriado adiantá-las, pois dão firmeza à consciência do ser humano a prinípio, e ademais, são o grandioso bem que fizera Deus para que este mundo fosse habitado, trazendo por seu meio a herança do mundo vindouro. E, é possível que conheçam-nas todos - tanto grandes como pequenos, tanto homens como mulheres, tanto o de muita capacidade intelectual como o de parca.


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