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LEIS DE FUNDAMENTOS DA TORÁ

Há nelas dez mandamentos: seis preceitos positivos e quatro negativos.

São eles:

  1. Saber que Deus existe;
  2. Não pensar que há divindade qualquer, em exceção a Ele;
  3. Proclamar Sua Unicidade;
  4. Amá-lo;
  5. Temê-lo;
  6. Santificá-lo;
  7. Não profanar Seu Nome
  8. Não destruir coisas sobre as quais fora escrito Seu Nome;
  9. Ouvir o profeta que falar em Seu Nome;
  10. Não tentá-Lo.



O esclarecimento destes preceitos vem nestes capítulos procedentes.


Capítulo 1


1. O fundamento de todos os fundamentos é: saber que há um Pré-existente primordial e Ele é quem causa a existência de tudo quanto há, sendo que todos os que existem entre os céus e a terra não vieram a existir a não ser pelo fato da veracidade de Sua existência. Se pudesse alguém imaginar sua inexistência [isto significaria] que todos os demais existentes não teriam como existir, sendo que Ele não anular-se-ia por razão da anulação [existencial] dos demais. Pois todos os existentes dEle necessitam - e Ele - Bendito é Ele -não necessita deles, e nem sequer de um único.

2. Portanto, não se compara Sua existência à dos demais. É o que diz o Profeta: "...Ad', vosso Deus, é verdade." - Jr 10:10 - Ele é a verdade, sem que outro tenha verdade como a Sua. É o que diz a Torá: "Não há além dEle!" - Dt 4:35 - significa: Não há nenhum existente cuja existência seja verdadeira como o é a existência de Deus.

3. Esse Existente é o Deus do Universo, Senhor de toda a terra - Aquele que faz mover o planeta por uma força infinita e indelével, força incessante, pelo que o planeta move-se sempre, sem que seja possível a existência do movimento sem que haja quem o ocasione. Ele - Bendito é Ele - fá-lo mover-se, sem mão e sem corpo!.

4. O conhecimento disto é um preceito positivo - conforme está escrito: "Eu sou Ad', teu Deus..." - Ex 20:2; Dt 5:6. Todo o que pensa que há outra divindade, fora este Deus, transgride um preceito negativo, como está escrito: "Não terás outros deuses diante de Mim!" - Ex Ex 20:2; Dt 5:6 - e se nega o maior princípio [da fé hebraica] do qual tudo [o que é parte integrante do judaísmo] depende.

5. Este Deus é um - não dois ou mais que dois, senão um, sem que seja conforme sua unicidade os demais [cogominados] "um" que existem por todo o universo. [Isto é,] não é "um" cuja unidade é composta de diversas unidades, tampouco "um" como o é o corpo [físico], que dispõe de divisões e de extremidades, senão unicidade inequável, segundo a qual não há em todo o universo.

6. Caso houvessem várias divindades, seriam elas [obrigatoriamente] corpos ou matéria, pois [poderiam ser contadas, e] tudo o que pode ser contado não separam-se uns dos outros [para tanto] a não ser pelas ocorrências [físicas] que se passam aos corpos e à matéria. Caso fosse o Formador corpo ou matéria, seria finito e delével - pois é impossível a existência de um corpo que seja infinito. E, tudo o que é finito, tem também sua força fim e término.

7. Quanto a nosso Deus, Bendito é Ele - néo dispõe seu poder de fim ou pausa, pois o planeta movimenta-se interminantemente, por não ser sua força como a corporal. Não sendo Ele corpo não se Lhe passam as ocorrências [peculiares] aos corpos que fazem com que sejam divididos e separado um do outro. Portanto, é impossível que não seja senão [apenas] um. Saber isto é um preceito positivo, como está escrito: "..Ad', nosso Deus, é um! - Dt 6:4.

8. Encontramos explícito na Torá e nos Profetas que Deus é incorpóreo e imaterial, como está escrito: "Pois Adonai, vosso Deus, é o [único] Deus nos céus e na Terra..." - V. Dt 4:39; Js 2:11 - e corpo não pode estar em dois lugares [ao mesmo tempo]. E, está escrito: "Pois não vistes qualquer imagem..." - Dt 4:15. E, está escrito: "A quem comparar-me eis, que posssa Eu ser equiparado?!" - Is 40:25. Caso fosse corporal, poderia ser [de algum modo qualquer] comparado aos demais corpos.

9. Sendo assim, que significa o escrito na Torá "...sob Seus pés..." (Ex 24:10), "escritos pelo dedo de Deus..." (Ex 31:18; Dt 9:10),"...a mão de Deus..." (Ex 24:1; Nm 11:23; Dt 2:15), "...olhos de Deus..." (Dt 11:12), "...ouvidos de Deus..." (Nm 11:1; Nm 11:18) e outros como estes, outros? - Tudo segundo a forma humana de pensar e falar, por não conhecerem a não ser [a existência] de corpos, e a Torá fala segundo a linguagem humana. Todos são termos metafóricos, como está escrito: "Se Eu desembainhar , minha espada, o raio..." (Dt 32:41) - E, acaso Deus tem espada, e por espada mata? - Senão, [trata-se tudo de] metáforas, simplesmente metáforas.

10. Prova disto: um profeta diz que as vestes de Deus são como a branca neve (Dn 7:9), e outro o vira com roupas rubras de Bosra (Is 63:1), enquanto que Mochê Rabênu mesmo já Lhe havia visto sobre o mar como um valente guerreiro, e no Sinai como um chaliaĥ tzibur coberto com seu manto. Significa: Deus não possui nem forma nem imagem, sendo tudo de acordo com a visão profética. Quanto à veracidade deste fato, não há capacidade intelectual no ser humano para alcançá-la ou disquirir acerca dela, sendo o dito no versículo: "A disquisição de Deus, acaso encontrarás? Ou, a finalidade do Todo-Poderoso acharás?!" - Jb 11:7.

11. Que significa, então, o pedido de Moisés, nosso instrutor, e que buscara alcançar quando disse: "...Mostra-me Tua glória..." - Ex 33:18 - Buscou adquirir o conhecimento da essência da vericidade existencial divina, até que ficasse marcado em seu coração como o conhecer uma pessoa cuja face vita e ficaram suas feições gravadas em sua memória, de modo que se distinguisse tal pessoa em sua mente das demais, similarmente, pedira Moisés que ficasse a existência divina em seu coração diferenciada das demais [formas e possibilidades] existenciais, até que pudesse compreender tal fato como realmente é. Redarguindo, disse-lhe Deus que não há no ser humano vivo, existência composta de corpo e alma, capacidade para alcançar a compreensão de tal coisa em sua plenitude.

12. Outrossim, fê-lo adquirir o que ninguém antes dele ou após ele pudera ter, ou seja, o alcance da compreensão da veracidade existencial de Deus como algo que O diferenciasse dos demais existentes, como pode alguém diferenciar alguém cujo vulto vira pelas costas e assim reconhecê-lo através de suas proporções corporais e suas vestes, e acerca disto aludira o escrito que diz: "...verás minhas costas; minha face, porém, não será vista!" - Ex 33:23.

13. Estando esclarecido que Ele não é nem corpo nem matéria, torna-se claro que se não lhe ocorrerão nem uma sequer das reações corporais: nem ligação ou separação, nem lugar ou proporção, nem subida ou descida, nem direita ou esquerda, nem diante ou após, nem sentar-se ou por-se de pé. Tampouco acha-se no tempo, para que disponha de princípio e fim, ou contagem de anos. Tampouco há nEle transformação, pois nada há que possa causar-lhe mudança.

14. Não cabe a Ele morte ou vida como a vida dos corpos vivos. Nem estultície, nem sabedoria, como a do homem sábio. Nem sono, nem despertar, nem ira, nem riso, nem alegria, nem tristeza, nem silêncio, nem fala como a fala do ser humano. Assim disseram os Sábios: "Não existe acima sentar-se ou pôr-se de pé, nuca, ou face."

15. Sendo assim, todas estas cousas e a elas similares ditas na Torá e nas palavras dos profetas são todas parábolas e metáforas, como: "...O que se assenta nos céus se rirá,..." - Sl 2:4. "...me fizeram irar-me por suas cousas vãs...!" - Dt 32:21 - "...Como rejubila-se Deus..." Dt 28:63 - e, assim por diante. Sobre todos disseram os Sábios: "Falou a Torá pelo linguajar dos seres humanos." E, portanto, está escrito: "Acaso a mim eles podem fazer irar?" - Jr 7:19. E, diz: "Eu sou Ad' - não me transformo!" - Ml 3:6. Se às vezes estivesse irado ou alegre, haveria nEle transformação. [Contudo], todas estas cousas acham-se unicamente nos corpos obscuros de natureza abjeta, cuja habitação está em casas materiais, e cujas origens encontram-se no pó. Quanto a Ele, Bendito é Ele, elevado e exalçado seja sobre tudo isto.


Capítulo 2


1. Este Deus glorioso e temível - é mandamento amá-Lo e temê-Lo, conforme está escrito: "Amarás a Ad' teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu poder!" - Dt 6:5; 11:13 - e, está escrito: "A Ad' teu Deus, temerás!" - Dt 6:13; 10:20. Como é que se chega a amá-lo e a temê-lo? No momento em que a pessoa medita sobre seus feitos e sobre suas criações inefáveis e grandiosas, vendo nelas Sua inextricável e infinda sabedoria, imediata e automaticamente tal pessoa amará, louvará, glorificará despertando em si o desejo de conhecer o grandioso Nome, assim como dissera David: "Tem sede minha alma, [sede] de Deus - do Deus vivo!..." - Sl 42:3.

2. Contudo, ao pensar nestas mesmas coisas, assusta-se por respeito e por temor, dando-se conta de que é apenas uma criatura abjeta e obscura, cuja capacidade de alcance virtual e intelectual é mínimo perante o Onisciente, como dissera David: "Ao ver teus céus...que é o homem, para que o lembres?!" - Sl 8:4,5.

3. Diante destas cousas, esclarecerei importantes regras acerca dos feitios do Senhor dos Mundos, que sirvam de abertura para o entendedor para que ame a Deus, como disseram os Sábios em concernência ao amor [a Deus], que "através disto conheces àquele que dissera, e fez-se o universo".

4. Tudo o que o Santo, Bendito é Ele, criara em Seu mundo - divide-se em três categorias: deles há que são compostos de matéria e forma - e estes vêm a existir e perdem sua existência continuamente, como é o caso do corpo humano, dos animais, vegetais e metais. Outros há que são compostos de matéria e forma, porém não mudam de um corpo para outro, ou de uma forma para outra, como os primeiros, sendo sua forma permanente em sua matéria para sempre, sem que haja neles câmbio como nestes: são as constelações e os astros que nelas se encontram, sem que seja sua matéria como a comum, nem suas formas como as demais.

5. Outros há que foram criados forma sem matéria - que são os anjos, que não são nem corpo, nem forma de corpo, senão formas separadas umas das outras. Que significa, então, o que disseram os profetas que viram certo anjo [qual ser] incandescente e alado? Tudo de acordo com a visão profética e por meios metafóricos, explanando que não trata-se de corpo e nem dispõe de peso como os corpos, que são pesados, como já foi dito [sobre o próprio Criador]: "Pois o Senhor teu Deus é um fogo consumidor..." - Dt 4:24 - sem que o seja, tratando-se de metaforia. Ou, como está escrito: "Faz seus anjos, ventos..." - Sl 104:4.

6. Mas, como separam-se estas formas umas das outras, se não são corpos? - por não serem equivalentes em sua existência, sendo um abaixo do grau de seu semelhante, proveniente da força de seu antecessor, sendo todos provenientes do poder do Santo, Bendito é Ele, e de Sua bondade. Isto é o que disse Salomão em sua sabedoria: "Porquê mais alto do que o que está alto - é guardião!" - Ec 5:7.

7. Acerca do que dissemos: "abaixo de seu grau", não significa relação de altura concernente a lugar, como a pessoa que se encontra assentado num local acima do seu parceiro, senão como quando dizemos sobre dois sábios que um é maior que o outro, que quer dizer que encontra-se acima do grau desse, ou como dizemos sobre a ação que está sobre a reação.

8. A mudança dos nomes dos anjos é de acordo com suas graduações, pelo que são chamados ĥaiôt ha-qôdech, são os que encontram-se sobre todos os demais; ofanim, arelim, ĥachmalim, serafim, malakhim, elohim, benê-elohim, keruvim, e ichim.

9. Todos os dez nomes que por eles foram chamados os anjos, são relacionados aos dez graus de elevaçães nas quais se acham. O grau no qual além dele não há senão o próprio Deus, Bendito é Ele, estão os chamados "ĥaiôt" - por isto é trazido pelos profetas que elas se encontram sob o Trono da Dlória. Quanto ao décimo grau [de cima para baixo] nele estão as formas chamadas "ichim" - que são os que falam com os profetas e a eles se fazem ver na visão profética, pelo que são chamados "ichim", [que significa "homens",] por ser seu grau de elevação próximo ao do [próprio] homem.

10. Todas estas formas [espirituais] são vivas e conhecem ao Criador, conhecendo-o por um conhecimento elevadíssimo, cada uma de acordo com seu grau, não segundo sua grandeza. Assim é [desde o mais elevado grau] até o décimo. Mesmo o primeiro grau [de cima para baixo] não atinge o conhecimento pleno do que é o Criador, sendo sua capacidade pequena para tanto.

11. Outrossim, conhece mais do que a forma que encontra-se abaixo dela, e assim todos os [demais] graus, até o décimo. Também este conhece ao Criador por um conhecimento que o ser humano que, composto de matéria e forma [espiritual], é incapacitado de alcançar - sendo que ninguém conhece ao Criador como Ele conhece a Si próprio.

12. Todos os existentes - exceptuando-se [unicamente] o Criador, desde a primeira forma [espiritual, que é a mais elevada,] até o ínfimo mosquito que esteja na superfície da Terra, vieram a existir por razão da existência dEle vieram a existir. Pelo fato de Ele conhecer-se a Si próprio e conhecer Sua [própria] grandeza e glória, bem como Sua [própria] realidade existencial, é Ele onisciente, sem que haja algo que se Lhe passe despercebido.

13. O Santo, bendito é Ele, conhece Sua realidade existencial, conhecendo-a conforme ela é,. Não conhece-a com um conhecimento exterior a Ele, como nós conhecemos, pois não somos nós e nosso conhecimento uma ó coisa. O Criador, todavia, Ele, Sua vida e Seu conhecimento são um, de todas as maneiras e de todos os modos, pois caso fosse vivo pela vida (comum aos demais seres vivos) e soubesse pelo conhecimento (comum aos demais seres conhecedores), haveriam várias divindades - Ele, Sua vida e Seu conhecer, não sendo assim, senão um único por todos os modos e por toda forma de unicidade.

14. Digamos: Ele é o Conhecedor, Ele é o conhecido e Ele é o próprio Conhecimento. Isto é algo que não há força na boca para proferir, nem no uvido para escutar, nem no coração para reconhecer como se deve. Por isso, diz-se: "[pela] vida de Faraó" (Gn 42:15,16) "[pela] vida de tua alma" (1 Sm 1:26 e vários outros) e não se diz "pela vida de Deus", senão "vive Deus" (Jz 8:19, e muitos outros) - pois Deus e Sua vida não são separados como a vida dos corpos que vivem, ou como os anjos.

15. Portanto, Ele não conhece aos entes criados e deles sabe através deles, senão por conhecer-se a si próprio os conhece - pelo que por auto-conhecer-se, conhece tudo - pois a existência de tudo apóia-se em Sua existência.

16. Estas cousas ditas por nós neste assunto em ambos os capítulos são como uma gota do mar de tudo o que faz-se necessário dizer em concernência a este assunto. Quanto ao esclarecimento destes pormenores, é isto o que se chama "Ma'assê Merkavá" (lit. "O Feitio da carruagem [de Ezequiel]).

17. Ordenaram os primeiros Sábios que não se ponderasse sobre estas cousas a não ser a uma única pessoa, e no caso que trate-se de uma pessoa sábia, entendedor por si mesmo, após o que se lhe ensinam princípios de capítulos, trazendo-lhe o conhecimento do mínimo, compreendendo ele por si mesmo, alcançando o fim de cada coisa profundamente.

18. Estas cousas são demasiadamente profundas, sem que seja toda pessoa dotada de capacidade intelectual para admití-las. Sobre as mesmas dissera Salomão por sua sabedoria, analogamente: "Agradabilidade para tua indumentária" (Pv 27:26). Assim disseram os Sábios na explicação deste provérbio: "Coisas que são [razão] de agradabilidade para todo o mundo [que deseja sabê-las serão para ti por vestes", quer dizer: para ti, somente, não para os estranhos contigo" - Pv 5:17. Sobre elas, disse: "Mel e leite, sob tua língua!" - Cn 4:11. Assim explicaram os primeiros Sábios: "Palavras que forem como o mel e como o leite, estejam embaixo de tua língua!".


Capítulo 3


Nota importante sobre o capítulo




1. As esferas astrais - são os chamados céus e firmamento, e zevul e 'aravôt - e são, ao todo, nove. A mais próxima a nós é a da lua, sendo a segunda, [logo] acima desta, a esfera na qual encontra-se mercúrio, a terceira após - a esfera na qual acha-se vênus. Na quarta Esfera - está plutão, na quinta - marte; na sexta, júpiter; na sétima - saturno; na oitava, todos as demais astros que se vêem no firmamento. No nono círculo, é o que que todos os dias volta do oriente para o ocidente.

2. É a que está em torno de tudo e circunda a tudo. Quanto ao vermos todos os astros como que se estivessem na mesma esfera, apesar de haver entre eles alguns mais acima que outros, dá-se pelo fato de serem os astros puros e límpidos como o vidro ou como a safira, pelo que são vistos os astros que se encontram na oitava esfera como se estivessem abaixo da primeira.

3. Cada uma das oito esferas nas quais se acham os astros subdividem-se em várias esferas - uma acima da outra, assemelhando-se aos invólucros das cebolas, algumas delas movimentam-se-se do oriente para o ocidente; outras, do ocidente para o oriente. Entre elas, contudo, não há espaço vazio.

4. As esferas não dispõe de peso [e são incolores,] não tendo nem cor preta, nem rubra, nem qualquer das demais cores. O vermos [as esferas] com cor "tekhêlet" (*) dá-se simplesmente por erro óptico, de acordo com a posição espacial elevada. Tampouco dispõem de sabor ou de olor, porquanto tais encontram-se apenas nos corpos que são inferiores a elas.

5. Todas estas esferas contornam o mundo todo, sendo elas arredondadas como uma bola, e o [Planeta] Terra em seu centro pendente. Possuem alguns dentre os astros pequenas esferas nas quais se fixam. Tais esferas não circundam a Terra, senão giram em torno de [outra] esfera pequena que não se move em torno de nada, fixando-se numa maior que, [por sua vez,] é envolvente.

6. O número de esferas que contornam a Terra - dezoito. A quantidade de pequenos astros que não a contornam, oito. E, do caminho percorrido pelos astros e do conhecimento do tempo de seu contorno a cada dia e a cada ano, bme como de sua entornação para o norte ou para o sul, e de sua elevação relativa à Terra, ou sua proximidade, dá-se a saber a quantia destas esferas, sua forma de movimento e modo de contorno. Esta é a sabedoria de cálculo das épocas e das constelações (astronomia), sobre a qual escreveram muitos livros os sábios da Grécia.

7. A nona esfera - que contorna tudo - dividiram-na os sábios da antiguidade em doze divisões, a cada uma chamando por um nome de acordo com a forma que se veja nela dos astros que se encontrem abaixo dela. São as constelações, cujos nomes são: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário, Peixes.

8. Quanto à nona esfera, nela não há nem divisões nem formas destas [citadas acima], nem astros, senão na intercalação dos astros que se acham na oitava esfera é que ver-se-ão nos grandes astros que nela se encontram a forma destas figuras, ou aproximadas.

9. Estas doze formas [imaginárias] jamais estiveram alinhadas, a não ser quando ocorrera o dilúvio, em cuja época foram dados a elas esses nomes [trazidos acima]; mas, nesta época [na qual nos achamos] já se desalinharam um pouco, pois os astros que se encontram na oitava esfera - todos movem-se, assim como o sol e a lua, só que o fazem pesadamente [ou seja, lentamente]. O espaço percorrido pelo sol durante um dia leva para qualquer um dos astros aproximadamente setenta anos.

10. De todos os astros visíveis - há alguns que são pequenos, sendo a Terra maior que cada um deles; outros, qualquer deles é maior que a Terra várias vezes. A Terra é maior que a lua como quarenta vezes mais; o sol, maior que a Terra como cento e setenta vezes mais. [Portanto,] o tamanho da lua em relação ao sol é 1/6800 aproximadamente. Não há entre todos os astros um que seja maior que o sol, nem menor que Mercúrio, que encontra-se na segunda esfera.

11. Todos os astros são possuidores de alma, auto-comportamento e intelecto, possuem vida própria, subsistem e conhecem a Àquele que proferiu e o mundo se fez, cada um de acordo com sua grandeza e seu grau de elevação louvam e enaltecem a seu Formador, assim como os anjos. E, assim como conhecem ao Santo, Bendito é Ele, conhecem a si próprios, bem como aos anjos, que encontram-se acima deles. Porém, é o conhecimento [da Divindade] dos astros e esferas menor que o dos anjos e maior que o dos seres humanos.

12. Criou Deus abaixo da esfera lunar determinado elemento que não se assemelha às demais esferas, e criou quatro formas para o tal elemento, e não é como a forma das demais esferas. Determinara-se toda forma física a partir deste elemento.

13 A primeira forma - a forma ígnea - foi formada a partir deste elemento, e da união entre ambos formara-se o fogo. A segunda forma - a forma aérea - unindo-se a parte deste elemento, dera origem ao ar. A terceira forma - a forma aquática - em união com tal elemento dera origem à àgua. A quarta forma - a forma térrea - em união com tal elemento originara o corpo terrestre.

14 Existem abaixo do firmamento quatro elementos separados um do outro, um acima do outro, cada um circundando o que está abaixo de todos os lados, como uma esfera. O primeiro é o fogo. abaixo dele, o ar. Abaixo dele, a água. Depois dela, a terra. Entre eles não há espaço vazio de forma alguma.

15. Tais quatro elementos não dispõem de alma, nem sapiência, nem conciência, sendo qual corpos inanimados. Cada um deles tem uma característica a qual desconhece, nem alcança sua compreensão, sendo incapaz de transformá-la. Isto é o significado do que foi dito por David: "Louvai a Deus desde a Terra - monstros, e todas as profundezas. Fogo e granizo..." - Sl 148:7,8. Quer dizer: "louvem-no os seres humanos por sua potestade vista no fog, no granizo e demais entes criados vistos abaixo do firmamento, cujo poder é sempre reconhecido, tanto para o pequeno como para o grande!"


Capítulo 4


1. Esses quatro elementos - o fogo, a água, o ar, e a terra, são os fundamentos de todos os seres criados sob o firmamento, sendo que tudo quanto há desde os seres humanos até o animais, as aves, o répteis e os peixes, vegetais, metais, pedras e pedras preciosas e pérolas, bem como as demais pedras usadas nas construções, e os montes e os torrões - tudo tem sua origem material formada a partir desses quatro elementos.

2. Temos, então, que todos os corpos existentes sob o firmamento, exceto estes elementos, são [fruto da] união de matéria e forma, sendo sua matéria [fruto da união] destes quatro elementos. Porém, qualquer destes quatro não é senão matéria e forma unicamente.

3. A característica do fogo e do ar é mover-se desde abaixo do centro da Terra para cima, até o firmamento; quanto à terra e à água, movem-se para baixo, em direção ao centro, sendo o centro do firmamento o "abaixo" que não há abaixo dele. Não se movem nem conscientemente, nem voluntariamente, senão por ação contínua que lhes fora determinada, e por natureza que os caracterizam.

4. A natureza ígnea - é ser o fogo quente e seco, sendo dos quatro o mais leve. Quanto ao ar - é ele quente e úmido. A água - fria e úmida, sendo a terra seca e fria, e a mais pesada dentre eles. A água é mais leve que ela, pelo que se acha sobre a terra; o ar, mais leve que a água, pelo que paira sobre sua superfície; e, o fogo, mais leve que o ar.

5. Por serem eles os fundamentos de todos os corpos que encontram-se abaixo do firmamento, acha-se todo corpo - desde o homem até o animal caseiro e campestre, aves, peixes, metais, vegetais e pedras - sua matéria composta de fogo, água ar e terra, mesclando-se os quatro e sofrendo certa mudança durante sua mesclagem, até que seja o composto deles sem semelhança alguma a qualquer um deles no momento de sua mistura. E, não há em todos os que existem a partir de sua mistura nem uma pequena porção que seja fogo somente, ou somente água, ou terra, por si só, ou ar, sozinho ele. Ao oposto, todos se transformam, tornando-se um corpo único.

6. Cada um dos corpos formados pelos quatro elementos, achar-se-á nele frio, calor, umidade e sequidão a um só tempo. Mas, alguns destes corpos são mais fortalecidos pelo fundamento do fogo, como os possuidores de alma viva, portanto se vê neles mais calor. Outros, têm sua vitalidade do fundamento da terra, como as pedras, pelo que se vê nelas muita sequidão.

7. Por isto, achar-se-á um dos corpos quentes que será mais quente que outro, [apesar de ser este] também quente, e um corpo seco mais que outro [de mesma classe] dos secos. Igualmente, em [outros] corpos se achará somente a algidez; outros, somente a umidade. [Outros] corpos [ainda] ver-se-á neles a algidez e a sequidão a um único tempo e equiparadas, ou o calor e a umidade equiparados. Se acordo com a maior parte do fundamento que estiver no princípio da miscelânea, ver-se-á a ação do dito fundamento, bem como sua natureza no corpo formado.

8. Todos os formados destes elementos, eles separar-se-ão dele ao fim. Alguns, após poucos dias; outros, após muitos anos. Quanto a tudo o que for deles formado, mesmo o ouro e o rubi: é impossível que não se desfaçam e voltem a seus fundamentos, tornando um pouco para o fogo, um pouco para a água e outro pouco para a terra.

9. Já que todos os [elementos que formam o corpo] que se separam fazem-no para estes [mesmos elementos, que são sua origem], por que está escrito sobre o homem "ao pó da terra voltarás!"? (Gn3:19) - por ser a maior parte de sua formação da terra. Outrossim, nem todo o que se destrói volta para os quatro elementos imediatamente, senão se transforma antes em outra coisa, e depois para outra, e ao final, volta para seus fundamentos. Assim, todas as coisas voltam para suas origens.

10. Esses quatro elementos transformam-se de um para outro permanentemente todos os dias e toda hora - parcialmente, não totalmente. Como assim? - a terra que se acha na proximidade de águas cambiam-se e se trituram, transformando-se em água, do mesmo modo que a ࢱgua nas cercanias do vento, se transformam, se evaporam e se transformam em ar. Igualmente o ar, pouco dele próximo à água se transforma e torna-se água. Igualmente, pouco da água próximo à terra se transforma, tornando-se terra.

11. Essa transformação se dá pouco a pouco, e de acordo com a duração dos dias. Tampouco se transforma todo o elemento até transformar-se toda a água em ar, ou todo o ar em fogo, pois é impossível que se anule um dos quatro fundamentos, senão pouco se transforma de fogo em ar, e outro pouco de ar em fogo. Assim também, entre um e outro achar-se-á a mudança entre os quatro, e seu retorno [ao que era antes].

12. Tal mudança ocorre por influência do contorno da esfera, e através de seu movimento se unem os quatro transformando-se nas demais classes de matéria crassa: humana, alma viva, vegetal, pedra e metal.

13. Jamais pode ser vista maéria sem forma, ou forma sem matéria. O homem, porém, por sua compreensão; é que tem capacidade para distinguir o corpo que encontra-se em sua imaginação, sabendo que ele é formado de matéria crassa e forma, e sabe que há corpos que são formados pelos quatro elementos, e corpos cuja matéria é simplória, não sendo formado por outro tipo de matéria [, senão de uma, apenas]. Quanto às formas que não dispõem de matéria, são invisíveis aos olhos carnais, somente podendo ser vistas pelos olhos do coração, assim como sabemos do Senhor do Universo sem vê-lo por nossos olhos.

14. A Alma de toda carne é a forma que fora-lhe concedida por Deus, e o intelecto que se encontra [somente] na alma do ser humano, ele é a forma do homem perfeito, [que alcançara sua perfeição em aquisição de conhecimento,] sobre a qual foi dito na Torá: "...Façamos o homem à Nossa imagem e à Nossa semelhança..." - Gn 1:26. Significa: Que tenha ele uma forma que tenha intelecto, e que possa alcançar o conhecimento e as virtudes, que são imateriais, até que se assemelhe a elas. Não está escrito isto sobre a forma visível aos olhos, que é composta de boca, nariz, mandíbulas e demais características faciais, cujo é feição.

15. Não é [portanto,] a [mesma] alma comum a todo ser vivo, que por seu intermédio come, bebe, procria, sente e pensa, senão a virtude, que é a forma da alma, e o escrito se refere à forma da alma. Às vezes, chamar-se-à esta forma "alma"; e, às vezes, "espírito". Por isto, faz-se necessário ter cuidado com os nomes, evitando o engano, sendo cada um dos nomes indicando particulariedade outras, de acordo com o nome.

16. Esta forma espiritual não é formada pelos elementos, para que se descomponha, tampouco provém da nechamá (alma = força vital do corpo - não confundir comnêfech - que é a essência espiritual que retorna a Deus para ressuscitar quando chegar o tempo determinado), necessitando dela para subsistir, assim como a nechamá(força vital) necessita do corpo para existir, senão de Deus, dos céus ela provém. Portanto, quando se descompor a matéria, que é formado dos quatro fundamentos, e perda-se a nechamá, por não achar-se a não ser com os corpos, necessitando deles para todas suas ações, não perecerá esta forma, por não necessitar do corpo em suas ações como a nechamá - sendo capaz de conhecer e alcançar as virtudes ou boas formas de agir, que são separadas dos entes materiais, e é conhecedora do Criador de tudo, sendo eterna. É o que foi dito por Salomão em sua sabedoria: "Volta ao pó da terra, como era anteriormente; e, o espírito, torne a Deus, que o deu!" - Ec 12:7.

17. Tudo o que foi dito sobre estas cousas, é como uma gota de água de um balde, sendo elas mui profundas. Entretanto, não são tão profundas como o assunto do primeiro e segundo capítulo. O esclarecimento de todas estas coisas que figuram no terceiro capítulo e quarto, é o chamado "ma'assê brechit" - "o feitio do princípio da criação". Assim ordenaram os Sábios da antiguidade, que não se ensine estas coisas em público, senão para uma pessoa única transmite-se este conhecimento e ensinam-no.

18. Qual a distinção entre "ma'assê brechit" e "ma'assê merkabá"? - "Ma'assê merkabá", mesmo a um pessoa única não se ensina, a não ser no caso de ser um sábio que entende por si, que a este se transmite "incunábulos de capítulos" relacionados ao assunto; quanto ao "ma'assêbrechit", pode-se ensiná-lo à pessoa em particular, apesar que este nã entenderia por si mesmo, fazendo-o saber tudo o que possa assimilar acerca destas cousas. E, por que não se pode ensinar publicamente? - pelo fato de nem toda pessoa ser dotado de capacidade intelectual desenvolvida para alcançar a compreensão das explanações destas cousas em sua plenitude.

19. Quando a pessoa medita nestas cousas e conhece a todos os entes criados, desde o anjo à esfera, o homem e tudo o que se assemelhe, e vê a Sabedoria do Santo, Bendito é Ele, aumenta em si o amor a Deus, tornando-se sua alma sedenta e desejosa de amá-lo mais e mais. Temê-lo-á por sua pequenez pobreza e insignificância, ao comparar-se a si próprio aos grandes corpos sagrados, quanto mais às formas puras, separadas da matéria crassa, que em nada foram formadas a partir dela. Achar-se-á como um utensílio repleto de vergonha e vexame, vazio e falto.

20. Os assuntos que constituem estes quatro capítulos que compõem estes cinco preceitos é o cogominado pelos Sábios de "PARDÊS (=pomar; jardim, bosque), conforme disseram: "Quatro entraram a passear no bosque..." - Apesar de serem eles grandes Sábios, nem todos dispunham de capacidade para saber e para alcançar estes pormenores perfeitamente.

21. Pelo que eu digo que não é apropriado passear pelo "bosque" senão quem haja enchido seu "organismo" de "pão" e de "carne". Este "pão" e esta "carne" é o saber o esclarecimento do permitido e do proibido, e assim por diante, em concernência a todos os demais mandamentos. E mesmo assim, "pequena coisa" foi chamado pelos Sábios, pois assim disseram: " 'Grande coisa' - "ma'assê merkabá"; 'pequena coisa' - realizações de Abaiê e de Rabá." Mesmo assim, é apropriado adiantá-las, pois dão firmeza à consciência do ser humano a prinípio, e ademais, são o grandioso bem que fizera Deus para que este mundo fosse habitado, trazendo por seu meio a herança do mundo vindouro. E, é possível que conheçam-nas todos - tanto grandes como pequenos, tanto homens como mulheres, tanto o de muita capacidade intelectual como o de parca.


Capítulo 5


1. Toda a Casa de Israel está ordenada sobre o santificar a este grandioso Nome [de Deus], conforme esá escrito: "... santificar-me-ei no meio dos filhos de Israel..." - Lv 22:32 - e avisados em quanto à profanação, como está escrito: "...não profanareis a meu Santo Nome..." - (o mesmo). Como assim? - No momento em que levantar-se um gentio e force a Israel a transgredir um de todos mandamentos expressos na Torá, caso contrário o matará, deve transgredir e não ser morto, porquê está escrito acerca dos mamdamentos: "...que cumpi-los-á, e viverá por eles..." - Lv 18:5 - e não que morra por culpa deles. E, caso haja sido morto para não transgredir, é devedor por sua alma.

2. Em que caso? em todos os mandamentos, exceto idolatria, sexo ilícito e derramamento de sangue. Estes três preceitos, se for dito que caso não transgrida será morto, deve morrer e não transgredir.

3. Em que caso? - no qual o gentio busca seu prazer particular, por exemplo, que obrigou-o a construir para si uma casa no Sábado ou a cozinhar seu alimento, ou forçou uma mulher a relacionar-se consigo, ou semelhantes. Mas, se o interesse do gentio for simplesmente de fazê-lo transgredir os preceitos - caso estiverem sozinhos os dois, não havendo ali dez pessoas do povo de Israel, transgrida e não seja morto, mesmo que não tenha tido a intenção a não ser de fazê-lo transgredir somente os demais preceitos.

4. Tudo o que foi dito que deve transgredir e não ser morto, trata-se do caso no qual não seja "cha'át chemad". Mas, tratando-se de "cha'át chemad" - que é o caso no qual se levante um rei ímpio como Nabucodonosor e seus amigos e decrete sobre Israel a anulação de sua Lei, ou de qualquer dos mandamentos dela, deverá morrer e não transgredir, mesmo que seja um dos demais preceitos [exceto os três citados em particular], seja sendo forçado diante de dez de Israel, seja estando ele sozinho com os gentios [que o forçam].

5. Todo o que sobre si está escrito que deve transgredir e não ser morto, caso haja sido morto para não transgredir - faz-se devedor por sua própria alma. E, todo o que sobre ele está escrito que deve morrer e não transgredir, caso haja morto e não transgredido - santificou ao Nome de Deus. E, caso dera-se o caso diante de dez pessoas do povo de Israel, santificou ao Nome de Deus em público, como Daniel, Michael e 'Azariá, e como Rabi 'Aqiba e seus colegas. São estes os "mortos pelo reino", que não há grau mais elevado que o deles, sobre os quais está escrito: "Por ti fomos mortos todos os dias, éramos como um rebanho para o abate!" - Sl 42:23 - e, sobre estes está escrito: "Reúnam para mim meus santos, que comigo fazem pacto no abate!" - Sl 50:5.

6. Todo o que sobre ele está escrito: "que seja morto e não transgrida", e transgrediu para não morrer, profanou o Nome de Deus, e caso haja sido o fato perante dez de Israel, profanou o Nome de Deus em público, e deixou de cumprir com um preceito positivo, que é o santificar o Nome de Deus, além de transgredir um mandamento negativo, que proíbe profanar o Nome de Deus. Apesar disto, por haver transgredido forçadamente, não incorre em penalidade de golpes de açoites, sendo desnecessário dizer que não incorre em pena capital pelo tribunal de Torá, e mesmo que haja assassinado à força. Não se castiga a não ser por transgressões voluntárias, sobre as quais hajam testemunhas e fora advertido antecipadamente, conforme está escrito acerca de quem der de seu filho a Môlekh: "Colocarei minha face naquele homem..." - Lv 20:3; 20:5. Através da "chemu'á" aprendemos: "aquele [homem]" - não forçado, nem inintencional, nem enganado.

7. Se idolatria, que é pesada mais que tudo, o que transgride forçado não incorre em carêt (morte espiritual), sem ser necessário dizer pena de morte por julgamento, quanto mais os demais preceitos citados na Torá. Quanto às relaçães ilícitas, está escrito: "Quanto á moça, nada a ela fareis..." - Dt 22:26.

8. Mulheres às quais disseram gentios: "Dêem-nos uma de vocês para que a impurifiquemos, ou fá-lo-emos com todas voês!" - sejam todas impurificadas, mas não entreguem a eles nenhuuma alma de Israel. Similarmente, se disseram: "entreguem-nos um de vocês, para que o matemos; do contrário, mataremos a todos!" - sejam todos mortos, e não entreguem nenhuma alma de Israel. Mas, se disseram sobre pessoa determinada: "entreguem-nos fulano, para que o matemos; do contrário, mataremos a todos!" - se era um passível de morte, como chebá' ben-Bikhri, entreguem-no a eles. Porém, não se ensina isto decididamente. Caso não passível de morte, seja sejam todos mortos, e não entreguem nenhuma alma de Israel.

9. Tudo o que disseram acerca dos casos de forçados, valem também para os casos de enfermidades. Como assim? - alguém que adoeceu, e chegou próximo à morte, e disseram os médicos que sua cura depende de certa coisa que é proibida pela Torá, fazem para ele, [mesmo sendo algo proibido]. E cura-se por intermédio de todas as coisas proibidas pela Torá, em caso de risco de vida, exceptuando-se a idolatria, relações ilícitas e derramamento de sangue - que estes, mesmo em caso de risco de vida, permanecem proibidos, sendo proibido curar-se através deles. Caso haja transgredido, buscando curar-se através de uma destas proibições, é castigado pelo tribunal de Torá segundo o castigo que lhe cabe.

10. De onde aprendemos que mesmo em caso de risco de vida não se transgride esses três preceitos? - pelo que está escrito: "Amarás a Ad' teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e por todo teu poder!" - Dt 6:5 - quer dizer, mesmo que te seja quitada a alma. Quanto ao matar uma alma de Israel para salvar outra, ou para livrar de um compulsor, é algo racional que não se faz perecer uma vida em lugar de outra, e relações ilícitas foram conectadas aos casos de morte por assassinato, como está escrito: "... Pois, assim como quando se levantar um homem contra seu próximo, assassinando-o, assim também é isto!" - Dt 22:26.

11. Em que caso se diz que nãos se pode curar por meio dos demais casos de transgressões, a não ser em risco de vida? - nos casos em que for a forma de tirar deles prazer, como os que dão a comer ao enfermo insetos e répteis, ou ĥametz (fermentação de qualquer dos cinco cereais) no pêssaĥ, ou que fazem-no comer no dia da expiação (kipur). Todavia, caso não seja a forma de prazer, como os casos de bandagem feita com ĥametz ou com 'orlá (*), ou que fazem-no sorver cousas que são mescladas de algo amargo com algo proibido, no qual há prazer para o paladar - é permitido, mesmo que não haja risco de vida, exceto "kilê ha-kêrem"(*) e carne com leite, que são proibidos mesmo que não seja o modo normal de alimentar-se deles, no qual há prazer. Portanto, através destes não se cura, mesmo em caso de perigo mortal.

12. Alguém que haja sentido atração por alguma mulher, pelo que ficou doente a ponto de morrer, e disseram os médicos que tal pessoa não tem cura enquanto ela não se deitar com ele (sexualmente), mesmo sendo ela livre (solteira ou divorciada, por exemplo), mesmo para que [somente] converse com ele (a sós) atrás de um cercado, não se ensina que isto se faça, para que não sejam feitas as filhas de Israel como "objeto desapropriado" [destinado para o uso de quem quiser], causando um caso assim que venha o acirramento das relações ilícitas.

13. Todo o transgressor de qualquer dos mandamentos da Torá por ignominioso opróbrio e ignobilidade, por mera provovação, sem haver sido forçado, profana ao Nome de Deus. Por isto está escrito sobre o juramento falso: "... profanando o Nome de teu Deus, Eu sou Ad'" - Lv 19:12. E, caso haja feito assim perante dez judeus, este profanou o Nome de Deus em público. Assim também, todo o que deixa de realizar certa transgressão, ou cumpriu um preceito positivo sem interesse pessoal algum, nem por medo, nem por temor, tampouco buscando honrarias, senão unicamente por Deus, como fez o justo Iossef evitando sua transgressão com a mulher de seu senhor, este santifica o Nome de Deus.

14. Outras coisas há que fazem também parte do que é profanação do Nome de Deus: o caso de que faça uma pessoa grande em conhecimento da Torá e conhecido como uma pessoa santa coisas que levem as pessoas a murmurar sobre si pelas tais, mesmo não tratando-se de transgressões contra a Torá, são tidas como profanação do Nome de Deus. Por exemplo, se compra e não paga imediatamente, no caso que tenha como pagar, e venham os donos da dívida a cobrar e ele pede mais prazo. Ou, por exemplo, que seja exageradamente brincalhão, ou coma e beba com os indoutos em Torá, ou entre eles, ou se sua forma de falar não for branda com as pessoas em geral, e não receba as pessoas prazeirosamente, sendo homem de discussão e iracundo, e assim por diante. Tudo de acordo com a grandiosidade do sábio, sendo necessário que tenha cuidado consigo nos mínimos detalhes, fazendo mais do que deve pelo determinado na Torá.

15. Igualmente, se é o sábio meticuloso consigo mesmo, falando amavelmente com as pessoas, sabendo conduzir-se entre eles sem deles afastar-se, recebendo-os sempre com uma boa expresão facial, sendo ofendido por eles sem nunca devolver-lhes a ofensa e sem jamais ofendê-los, honrando mesmo aos que lhe faltam com o respeito, negociando fidedignamente, sem estar visitando ou assentando-se em companhia dos que são indoutos de Torá demasiadamente, sem que seja visto a não ser ocupando-se da Torá vestido com tzitzit e levando sobre si seus filactérios, agindo em tudo meticulosamente mais do que deve pelas normas da Torá - no caso de que não exagere nisto, causando o espanto no público, fazendo com que as pessoas elogiem-no e o amem, desejando imitá-lo, este santifica o Nome de Deus, e sobre este diz o escrito: "E disse-me: 'Tu és meu servo, ó Israel, no qual me glorifico!' " - Is 49:3.


Capítulo 6


1. Todo o que destrói um dos Santos e puros Nomes de Deus, pelos quais Deus é chamado, incorre em pena de látegos por determinção da Torá, pois assim encontra-se escrito acerca da idolatria: "Apagareis seus nomes...asssim não fareis a Ad' vosso Deus!" - Dt 12:3,4.

2. São sete os nomes [que não podem ser apagados]: o nome escrito IOD - HE - VAU - HE (Tetragrama), que é o Nome Explícito; o escrito ALEF-DAL-NUN-IOD, e EL, e ELOAH, ELOHIM, EHIÊ, CHADÁI, TZEBAÔT. Aquele que apagar uma letra sequer de qualquer um destes nomes, incorre em pena de açoites.

3. Todo prefixo que se ligue ao Nome antecipando-o, é permitido apagá-lo, como a letra "lâmed" de "leha-Chem" ("a Deus; para Deus"), ou "bet" de "bElo-him" (em Deus) - a assim por diante, não se acha sobre estas letras [que antecipam] santidade do Nome de Deus. Porém, todo sufixo, como por exemplo a letra "khaf" de "Elo-hekha" ("teu Deus") e "khaf-mem" de "Elo-hekhem" ("vosso Deus"), e assim por diante, não podem ser apagados, tornando-se como as demais letras do Nome de Deus, pois o Nome que lhes antecede os santifica. E, apesar da proibição de apagá-los, não se castiga por açoites pela Torá, mas castiga-se a quem o fizer com "macat mardut".

4. A escrita Alef-lâmed de ELO-HIM, e "Iod-Hê" do Tetagrama não podem ser apagados, sendo desnecessário dizer "Iod-Hê" - que, sozinho, é um dos nomes, por ser parte do Nome Explíicito (Tetragrama}; mas, se escreveu "Chin-Dalet" de "CHA-DÁ", ou "Sad-Bet" de "Sebaôt", podem estes ser apagados.

5. As demais denominações através das quais se enaltece o Nome do Santo, Bendito é Ele, como "Ĥanun" (compassivo), "Raĥum" (Misericordioso), "Gadol" (Grandioso), "Gibor" (Potente), "Norá" (Temível), "Ha-Neeman" (O Fiel), "Qaná" (Zeloso), "Ĥazaq" (Forte) e similares, são como as demais palavras sagradas, sendo permitido apagá-las.

6. Utensílio que leve sobre si escrito o Nome - deve-se cortar o utensílio ao redor do Nome e fazer dele "genizá". Mesmo que estivesse o Nome gravado em utensílio de metal ou vidro, e fundiu o utensílio - este deve ser açoitado - deve cortar o lugar onde está situado o escrito e guardar em "genizá". De mesma forma, se o Nome fora escrito sobre sua própria carne, não pode lavar o corpo, nem untar-se, nem se colocar no local onde haja lixo ou sujeira. Se necessita fazer uma imersão devida por algum preceito, deve amarrar sobre o local onde se acha o escrito no corpo com uma borracha, após o que pode imergir. Caso não ache uma borracha, deve buscar por-se de costas para o local escrito, caso possível. A borracha não deve ser demasiadamente apertada, para que não seja empecilho para a imersão, pois não disseram sobre o amarrar a borracha senão por ser proibido estar nu diante do Nome.

7. Quem destruir mesmo uma só pedra dentre as pedras do Altar, ou do Santuário, deve ser açoitado, pelo que está escrito: "Seus altares destruireis" - Ex 34:13; Dt 12:3 - e, está escrito: "Não fareis assim a Ad' vosso Deus!" - Dt 12:4. Assim também quem queimar madeira santificada por destruição, deve ser açoitado, conforme está escrito: "Suas 'acherôt' (árvores dedicadas para idolatria) queimareis a fogo... tal não fareis a Ad' vosso Deus!" - Dt 12:3,4.

8. Todos os escritos sagrados, bem como seus comentários e explanações - é proibido queimá-los ou destruí-los à mão. Quem destrói por mãos, incorre em penalidade de "macát mardut". Em que caso dizemos [que quem destrói incorre em penalidade por haver realizado uma trangressão]? - no caso de escritos que foram feitos por um judeu, em santidade. No entanto, um "min" que escrevera um "Sêfer Torá", este [escrito] deve ser queimado com todos os Nomes de Deus que achem-se nele, pois este não crê na santidade do Nome de Deus, não havendo escrito senão por pensar ser Ele como as demais coisas [profanas]. Sendo esta sua forma de pensar, o Nome [escrito por ele] não foi santificado, sendo preceito queimá-lo, para não deixar [um bom] nome para os "minim", nem para suas realizações. Mas, quanto ao Nome de Deus escrito por um gentio, deve este ser depositado numa "genizá". O mesmo se faz com Palimpsestos santos que se deterioraram pelo tempo, ou que foram escritos por um gentio.

9. Todos os nomes citados por Abraham, são santos, incluindo este que diz: "... Ad', se achei graça perante Teus olhos..." - Gn 19:18,19. Todos os Nomes citados por Lot, são profanos, exceto este: "... Não, Ad', rogo! Eis que achou teu servo graça..." - Gn 19:18,19. Todo os nomes ditos na colina de Benjamin, são santos. Todos os nomes citados no caso de Mikhal, profanos. E, todos os citados em Nevôt, santos.

10. Todo "Salomão" lembrado em Cantares, é santo, sendo como os demais nomes de Deus, exceto este: "... os mil são teus, Salomão..." - Cn 8:12. Todo "Malkhaiá" (reis) lembrado em Daniel - profanos, exceto este: "Ant Malká, mêlekh Malkhaiá..." ("Tu, ó Rei, és rei dos reis...") - Dn 2:37 - sendo como os demais denominativos de Deus.


Capítulo 7


1. É dos fundamentos da [nossa] lei o estar cônscio de que Deus causa a profecia aos seres humanos, e a profecia não vem a não ser sobre uma pessoa sábia, forte em virtudes, cujas inclinações jamais o dominam em nada no mundo, senão ele sempre vence seus instintos conscientemente, sendo possuidor de reta e exacerbada capacidade virtuosa.

2. Um homem repleto de todas estas virtudes, perfeito em seu corpo, ao adentrar o "vergel", deixando-se levar pelos assuntos grandiosos e distantes [da mentalidade humana], tendo conhecimento certo para entender e alcançar, enquanto santifica-se cada vez mais, apartando-se dos modos da maioria do povo que gastam seu tempo com as coisas vãs, acelerando-se a si próprio ensinando-se a jamais pensar em coisas vãs, nem dos passatempos e suas argúcias, senão conservando sua consciência sempre disposta para o alto, presa sob o Trono Divino, entendendo o sifnificado das formas sagradas e puras, contemplando a Sabedoria do Santo - Bendito é Ele, desde a precípua forma [espiritual] até o núcleo da Terra, sabendo através disto o quão grande é Ele: imediatamente, apodera-se deste um espírito de santidade.

3. No momento em que repouse sobre si o espírito, entrará sua alma no grau dos anjos chamados "ichim", tornando-se outro homem, entendo por si mesmo que já não é mais o que era até então, senão adiantara e ascendera a um grau que encontra-se além daquele que caracteriza os homens sábios, conforme está escrito acerca de Saul: "...profetizarás com eles, tornando-te outro homem..." - 1 Sm 10:6.

4. Diferentes graduações há entre os profetas, assim como em concernência à sabedoria pode haver um sábio maior que outro, similarmente entre os profetas, pode ser um maior que o outro. Todos eles, porém, têm suas profecias somente através de sonhos, por visões noturnas, ou durante o dia, após recair sobre si o sono, conforme está escrito: "...por visão metafórica dar-me-ei a conhecer a ele, através do sonho falarei com ele..." - Nm 12:6.

5. Todos eles, no momento da profecia, seus membros se sacodem e perdem a força corporal; seu raciocínio se desfaz, tornando-se seu intelecto vazio, pronto para compreender o que ver, como fora dito sobre Abraham: " E, eis: um temor, grande treva, cai sobre ele..." - Gn 15:12. Idem, como está escrito acerca de Daniel: "...minha força tornou-se para mim como algo a destruir-me, sem que eu pudesse conter minhas forças..." - Dn 10:8.

6. As coisas que dão-se a conhecer ao profeta no momento de sua profecia, vêm todas por metáfora, e imediatamente é gravado em seu coração o significado das coisas que vira, tornando-se assim sabedor do que é, como a escada que vira Jacob, nosso pai, e anjos subindo e descendo através dele, que eram metaforia relacionada aos reinados da Terra, e seus domínios. Como os animais vistos por Ezequiel, ou a panela inchada e o bastão de amêdoeira que viu Jeremias, e o rolo de pergaminho visto por Ezequiel, e a medida de peso (efá) vista por Zacarias.

7. Assim, os demais profetas: há os que dizem a metáfora e sua explanação, como estes, e os que dizem somente o esclarecimento do que fora visto. Às vezes, trazem a metáfora sem sua explicação, como parte das palavras de Ezequiel e Zacarias. Todos, porém, através de metaforias profetizam.

8. Os profetas em geral não profetizam quando querem, senão após direcionar seu intelecto e assentar-se alegres e contentes, buscando a soledade - pois a profecia não vem sobre o profeta - nem na tristeza, nem na ociosidade. Por isto é que os alunos dos profetas tê perante si cítara e tambor, flauta e harpa, enquanto buscam alcançar a profecia. Isto é o que significa: "...e eles se fazem profetizar..." - 1 Sm 10:5 - Quer dizer, andam pelo caminho da profecia até que se lhes ocorra, como se diz: "fulano está crescendo,!" (fazendo-se crescer a si próprio).

9. Estes que buscam profetizar são os chamados "filhos dos profetas". E, apesar de direcionarem seus intelectos para tanto, é possível que paire sobre eles a Presença Divina, e é possível que não.

10. Tudo o que dissemos equivale para todos os profetas, tantos os primeiros como os últimos, exceptuando-se unicamente Moisés, nosso Mestre, e Mestre de todos os profetas. Qual a diferença entre a profecia de Moisés para a dos demais profetas? - Todos os profetas, em sonho e em visão metafórica, e Moisés nosso Mestre, desperto e de pé, como está escrito: "...Vindo Moisés à Tenda para com Ele falar, ouviu a voz..." - Nm 7:89.

11. Todos os profetas, [tudo o que vêem, vê-lhes] através de [um] anjo, razão pela qual vêem tudo por analogia; quanto a Moisés, não por meio de anjos, conforme está escrito: "De minha boca para sua boca falo com ele..." - Nm 12:8 - e, está escrito: "e disse Deus a Moisés; face a face..." - Ex 33:11. E, "...contemplando a imagem de Deus..." - Nm 12:8. Quer dizer: sem metáforas, senão vendo explicitamente, sem enigma e sem analogia [alguma], testemunhando sobre o fato a própria Torá: "...por visão, não por enigmas..." -(mesmo vers.), que não profetizava por enigma, senão pela visão, que via tudo claramente.

12. Todos os profetas temem, assustam-se e se enfraquecem, e [com] Moisés não era assim, sendo o significado do que está dito: "...como fala um homem com seu amigo..." - Ex 33:11. Assim como um homem não se assusta ao ouvir as palavras de seu próximo, assim tinha capacidade Moisés para entender os conteúdos das profecias estando de pé e normalmente, em plenitude.

13. Os profetas em geral não profetizam quando bem querem; Moisés porém, não era assim, senão quando bem quisesse, o espírito de santidade o revestia, pousando sobre si a profecia. Não era-lhe necessário direcionar seu intelecto para que se lhe ocorresse, preparando-se para tanto, pois já encontrava-se previamente direcionado e preparado como um dos anjos [da esfera mais superior], que servem diante de Deus. Portanto, profetizava a todo tempo, como está escrito: "...Ponham-se de pé, e ouvirei o que Deus vos ordenará!" - Nm 9:8.

14. Acerca disto, lhe assegurara o próprio Deus, conforme está escrito: "Tornai a vossas tendas! Quanto a ti, fica comigo..." - Dt 5:26. Aprendeste pelo que sai de todos estes escritos que todos os profetas, ao sair deles o instante da profecia, voltam para suas tendas, ou seja, as necessidades físicas em geral, como todos os demais do povo, pelo que não podem apartar-se de suas mulheres. Moisés, nosso mestre, jamais retornara a sua primeira tenda, pelo que apartara-se de sua esposa e de tudo o que é a isto similar [,ou seja, toda necessidade corporal, como comer, beber, dormir e etc.], estando ligado seu intelecto à Rocha das Eternidades. Jamais se perdera seu esplendor, estando seu rosto emitindo raios de luz, tornando-se santo como os anjos.

15. O profeta, pode ser sua profecia para si mesmo somente, aumentando sua capacidade de compreensão e entendimento, até que saiba o que não sabia destes grandiosos assuntos. E, pode ser que seja enviado a algum dos povos da Terra, ou aos homens de determinada cidade ou reino, com o intuito de levá-los a meditar e fazê-los saber o que devem fazer, ou para por fim aos maus procederes que são feitos por suas mãos. Ao serem enviados, é-lhes dado sinal e milagre, para que o povo possa saber que Deus realmente o enviara.

16. Mas, nem todo o que faz sinal ou prodígio deve-se crer ser ele um profeta, senão alguém que nele seja reconhecido ser uma pessoa apropriada para que repouse sobre ele a profecia, por sua sabedoria e por suas boas ações, estando ele elevado acima de todos os de sua idade, andando pela forma de proceder comum à profecia, em sua santidade e seu agastamento do proceder comum geral, após o que, caso haja realizado algum sinal ou prodígio e afirmado haver sido enviado por Deus, é mandamento ouví-lo, conforme está escrito: "...a ele ouvireis!" - Dt 18:15.

17. Pois pode ser que alguém realize algum sinal ou prodígio sem por isto ser um profeta; e tal sinal, tem razão de ser. Mesmo assim, é mandamento ouví-lo, pois sendo este uma pessoa grande e sábio, apropriado para que repouse sobre ele a profecia, acredita-se ser tal e qual aparenta, pois acerca disto fomos ordenados. Da mesma forma como somos ordenados a aceitar o testemunho de duas pessoas aptas para tanto, já que são aptas para testemunhar, e apesar de sempre haver a possibilidade de que seja falso o testemunho prestado, já que são aptas para tanto, devemos acreditar no que dizem, sem que possamos deixar de dar-lhes crédito pela posição que atingiram em sua fidedignidade. Sobre estas cousas está dito: "As coisas ocultas são para Ad', nosso Deus, e as reveladas para nós e para nossos filhos..." - Dt 29:28. E, está escrito: "Pois o homem vê pelos olhos, e Deus, vê o coração..." - 1 Sm 16:7.


Capítulo 8


1. Moisés, nosso mestre, não creu nele o povo de Israel pelos sinais que realizara, pois o que crê por razão dos sinais realizados - seu coração é imperfeito, sendo possível que os sinais hajam sido realizados por meio de mistérios [esotéricos] ou feitiço. Senão, todos os sinais realizados no deserto o foram por necessidade, não com a meta de trazer prova sobre a profecia. Precisou afogar os egípcios, abriu o mar e afundou-os nele; era-nos mister o alimento, fez descer-nos o man; quando tiveram sede (nossos pais) - rompeu para eles a pedra; levantara-se o conciliábulo de Coraĥ para fazer dele descrer, a terra os engoliu. Assim, também os demais sinais.

2. Qual a razão pela qual creram em Moisés? - pelo acontecimento do Sinai - no qual nossos olhos mesmos viram, e não os de um estranho [que nos contasse, como ocorre nos demais credos], e nossos ouvidos ouviram, e não os de outros [para que necessitássemos ouvir de terceiros] - o fogo, os sons e os raios. E, ele [Moisés] entrava no meio da névoa, enquanto que a voz com ele falava, e nós, ouvindo: "Moisés! Moisés! Vai, diz-lhes assim e assim!" E, assim disse ele: "Face a face calou Deus convosco!" - Dt 5:4 - e, está escrito: "Não com vossos pais levantara Deus este pacto..." Dt 5:3.

3. De onde sabemos que somente no acontecimento do Sinai está a prova inextricável da profecia de Moisés, na qual não há defeito? Pelo que está escrito: "Eis que Eu virei a ti no meio da nuvem, para que o povo ouça-me a falar contigo, e também em ti creiam para sempre..." -Ex 19:9. Entendemos que antes disto não creram nele por uma crença que perdure para a eternidade, senão por uma forma sobre a qual sempre há alguma cogitação [analítica] e um pensamento [duvidoso].

4. Temos então que os mesmos para os quais foi enviado, eles mesmos são testemunhas de sua profecia que é verdadeira, sem que seja preciso realizar para eles sinal qualquer que seja, pois eles e ele são um só, como duas testemunhas que viram algo ao mesmo tempo, sendo cada um deles testemunha para seu companheiro que também este vira o fato, sem que necessite trazer prova um sobre o outro. Similarmente, Moisés, nosso mestre - todo o povo de Israel é testemunha sobre ele após o evento do Monte Sinai, sem que precise fazer para este povo sinal algum.

5. É isto o que dissera-lhe o Santo, Bendito é Ele, no princípio de sua profecia, ao dar-lhe os sinais que faria no Egito, dizendo: "Eles darão ouvidos à tua voz..." - Ex 3:18. Sabia Moisés, nosso mestre, que o que crê por intermédio dos sinais tem em seu coração defeito, cogitando e analisando, preferindo não ir, e dizia: "eles não me crerão..." - Ex 4:1 - até que Deus fê-lo saber que "estes sinais não são [para que creiam em ti] senão até saiam do Egito, mas que após a êxodo, quando estiverem neste monte, ir-se-ão deles todas as cogitações, que pensam acerca de ti, pois dar-te-Ei aqui um sinal pelo qual saberão que Eu te enviei verdadeiramente desde o princípio, sem que fique em seu coração cogitação alguma acerca de ti." É o que diz o escrito: "Ao tirares o povo do Egito, servireis a Deus neste monte..." - Ex 3:12.

6. Subentende-se que todo profeta que sse levante após Moisés, nosso mestre, não cremos nele simplesmente pelos sinais que realizar, para que digamos: "Se este fizer algum sinal, ouvi-lo-emos em tudo o que nos disser", senão pelo preceito que nos dera Moisés na Torá, dizendo que no caso de haver realizado algum sinal, "a ele ouvireis!" - Dt 18:15. Assim como nos ordenou a decidir o julgamento por duas testemunhas, apesar de não dispormos da absoluta certeza de que testemunharam veraz ou falazmente, também é o mandamento concernente ao ouvir tal profeta, seja a profecia veraz ou feitiço e esoterismo.

7. Portanto, todo o profeta que se levante, realize sinais e prodígios, e buscou desfazer a profecia de Moisés, nosso mestre, não se pode ouvi-lo, e nisto já sabemos claramente que todos seus sinais e prodígios foram efetuados por intermédio de magia ou de feitiço (*), pois a profecia de Moisés nosso mestre não se tem seus fundamentos em sinais e prodígios para que possamos equiparar os sinais deste com os daquele, senão vimos o que vimos por nossos próprios olhos, e ouvimos por nossos próprios ouvidos, assim como ele mesmo (o dito "profeta").

8. Aprendes disto que: a que se assemelha o fato? - A duas testemunhas que testemunham para um terceiro sobre algo que este vira por seus próprios olhos, dizendo não ser conforme vira - que [é claro,] não lhes dará ouvidos, pois sabe claramente serem falsas testemunhas.

9. Pelo que disse a Torá que [mesmo que] venha por sinal e prodígio, não ouvireis às palavras daquele profeta" - Dt 13:4 - pois este vem a ti por meio de sinais e prodígios para desfazer o que viste por teus próprios olhos, e nós não firmamos nossa fé em prodígios, senão no mandamento que nos fora dado por Moisés - como, então, aceitaremos sinal deste que vem desfazer a profecia de Moisés, a qual vimos e ouvimos?


Capítulo 9


1. É algo claro e explícito na Torá ser ela um mandamento eterno, durando para toda a eternidade. Não há nela nem mudança, nem diminuição, nem aumento, de aordo com o que está nela escrito: "A ela não adscrevereis, nem dela diminuireis: tudo quanto sou o ordenador - deveis cuidar em cumprir. Sobre isto não aumentaresi, nem diminuireis!" - Dt 13:1. Está ainda escrito: "As sousas reveladas são nossas, e de nossas filhos para sempre - para fazer segundo as palavras desta Torá!" - Dt 29:28. Através disto aprendes que todas as palavras da Torá somos ordenados em concernência a seu cumprimento para sempre. Assim também diz Ele: "Lei eterna, para vossas gerações..." - Lv 3:17, e ainda sete outros trechos - E, está escrito: "Ela não se encontra nos céus..." - Dt 30:20 - de onde aprendes que não há profeta que possa renovar (ou inovar) algo nela.

2. Portanto, caso se levante alguma pessoa, do povo de Israel ou dos gentios, fazendo sinais e milagres, afirmando ser enviado por Deus, dizendo que Deus o enviara para que desse um novo mandamento, ou para que anulasse certo mandamento, ou para explicar nova explicação sobre determinado preceito - algo que não condiz com o que fora ouvido de Moisés - ou que haja afirmado que aqueles preceitos que sobre eles foram ordenados os filhos de Israel não são eternos de geração em geração, senão para certo tempo somente - este é um profeta falso, pois vem para negar a profecia de Moisés, e sua penalidade é morte por axfixiamento (ĥêneq), por haver sido intencional em falar em nome de Deus o que não lhe ordenara, pois Ele, Bendito é seu Nome, ordenara a Moisés que este preceito seria "para nós e para nossos filhos para toda a eternidade!..." - Dt 29:28 - e, "Deus não é homem para que minta". - Nm 23:19.

3. Assim sendo, que significa o escrito na Torá: "Um profeta levantarei para vós dentre vossos irmãos ..." ? - Dt 18:18 - que não vem para criar uma nova lei (ou religião) senão para ordenar-nos sobre o cumprimento das palavras da Torá, e para advertir o povo que não a transgridam, conforme dissera o último dos profetas: "Lembrai-vos da Torá de Moisés, Meu servo..." - Ml 3:22.

4. Caso nos haja ordenado sobre alo permissivo, como por exemplo ir a determinado lugar, batalhar hoje na guerra, ou não, construir certa muralha, ou deixar de construir, é mandamento ouvi-lo, e quem o desobedeça incorre em pena de morte pela mão dos Céus, pelo que está escrito: "E será que o homem que não escutar minhas palavras, no que falar em Meu Nome, Eu requererei dele..." - Dt 18:19 - Similarmente: o profeta que transgredira suas próprias palavras, ou que deixou de transmitir sua profecia sobre a qual foi ordenado, incorre em pena de morte pela maão dos Céus, sendo que nos três casos está escrito: "Eu requererei dele...". - (mesmo versículo)

5. Caso nos diga um profeta que sabe-se ser [realmente] um profeta que transgridamos um dentre todos os preceitos da Torá, ou preceitos vários, sejam leves ou pesados - por tempo determinado, é mandamento ouvi-lo. E, assim aprendemos dos Sábios da antiguidade, atavés da "chemu'a": "Em tudo, se te disser o profeta: " - Transgride as palavras da Torá, como Elias no Monte Carmel, ouve, exceto em questões de idolatria!" E isto, em caso de que seja temporário, como Elias no Monte Carmel, que sacrificou holocausto fora do setor do Templo após a escolha de Jerusalém, sendo que a pessoa que o fizer é pasível de carêt (morte espiritual). Contudo, por ser ele profeta, é mandamento ouvi-lo. Também nisto foi dito: "..a ele ouvireis!" - Dt 18:15.

6. E, se houvessem perguntado a Elias, dizendo: " - Anularemos o escrito na Torá que diz: "Para que não sacrifiques teus holocaustos em todo lugar que vejas..." " - Dt 12:13 - com certeza dirai: " - Não, pois quem o fizer fora do local designado incorrerá para sempre em penalidade de "carêt", conforme foi ordenado por Moisés. Mas, eu hoje, fá-lo-ei fora segundo me foi ordenado por Deus [para este momento], para desmentir os profetas de Bá'al."

7. Do mesmo modo, se ordenaram os profetas a transgredir algo por certo espaço de tempo, é mandamento ouvi-los. Se, contudo, afirmarem que tal preceito fora anulado para sempre, incorrem em pena de "ĥêneq" - pois a Torá dissera "...para nós e para nossos filhos eternamente..." - Dt 29:28. Igualmente, se afirmou assim - anulando - sobre qualquer dos pormenores recebidos através da "chemu'a", ou se disse sobre um dos preceitos da Torá que Deus ordenara [através de profecia] ser a lei assim e assim, de acordo com a opinião de rabino tal - trata-se de um profeta falso, devendo ser morto por ĥêneq, mesmo que não haja feito sinal algum, pelo motivo de que veio desmentir a Torá, conforme está escrito: "Ela não se encontra nos céus..." - Dt 30:12. Todavia, por certo espaço de tempo, ouvem-no em tudo.

8. Em que caso dizemos? - No caso no qual haja conotação com todos os preceitos, exceto idolatria, em cujo caso não se ouve nem mesmo por um momento, e mesmo que haja realizado grandes sinais e inefáveis prodígios, e dito que Deus ordenara que servissem à idolatria "somente hoje", ou "somente nesta hora", este blasfemou contra Deus, e sobre isto ordenara o escrito e dissera: "vindo o sinal e o prodígio...não ouças...pois blasfemara contra Ad' vosso Deus!" - Dt 13:3-6. Pois este vem desfazer a profecia de Moisés, pelo que sabemos claramente que trata-se de um falso profeta, sendo que tudo o que fizera, efetuara através de feitiço e de mistérios [esotéricos], devendo ser asfixiado até a morte.


Capítulo 10


1. Todo profeta que se levantar para nós dizendo ser enviado por Deus, não necessita realizar sinais como os realizados por Mochê Rabênu, ou como os efetuados por Eliahu e Elichá', nos quais houve mudança na normalidade da natureza, bastando que prediga coisas que ainda estão porvir, e ocorra segundo suas palavras, conforme o escrito: "E, se disseres em teu coração: " - Como saberemos...?" - Dt 18:21.

2. Portanto, quando vier um homem apto para receber a profecia nas obras de Deus, sem aumentar nem diminuir nas palavras da Torá - não se diz a ele: " - Parte para nós o mar!..." ou: " - Faz ressucitar a este morto!..." - e assim por diante - "...e, após isto, creremos em ti [que és um profeta]! Mas, diz-se-lhe: " - Revela-nos coisas que estão ainda por acontecer! - e ele o faz, e nós espeeramos o acontecimento das coisas proferidas, se vêm ou se não." Caso não vierem, mesmo faltando um pequeno pormenor, sabemos ser este um profeta falso.

3. E, caso venham todas as coisas [exatamente] como predisse, será a nossos olhos digno de crédito. Deve ser verificado muitas vezes, e se suas palavras forem todas fiéis, é [certeza: trata-se este de] um profeta verdadeiro, como o escrito acerca de Samuel: "E soube todo o Israel, desde Dan até Beer Chev'a, que verdadeiramente era Chemuel um profeta de Deus." - 1 Sm 3:20.

4. Acaso os "me'onenim" (derivado de 'onen) e os encantadores não predizem também eles o futuro? Que diferença há então, entre o profeta e eles? - Os "me'onenim" e os encantadores - parte de suas palavras se cumprem, e parte não, de acordo com o que está escrito: "Levantem-se os investigadores dos céus, que examinam os astros, os que fazem saber o que vem a cada mês, do que te sobrevirá!..." - Is 47:13. - "do que te sobrevirá", e não "tudo o que te sobrevirá". E , é possível que nada do que disserem se cumpra, que se enganem em tudo, conforme está escrito: "Desfaz os sinais dos enganadores, fazendo estultos os encantadores!..." - Is 44:25.

5. Quanto ao profeta, [todas] suas palavras se cumprem, como está escrito: pois não cairá da palavra de Deus nada por terra!..." - 2 Rs 10:10. Assim também diz: "O profeta que tiver sonho, que relate-o, o que tiver consigo minha palavra, que diga palavras de verdade: "- Que tem a palha com o trigo?" - é a pronunciaciação de Ad'!" - Jr 23:28 - Quer dizer: as palavras dos encantadores e os sonhos são como a palha que se misturou com um pouco de trigo, e a palavra de Deus, como o trigo puro, no qual não há sombra de mistura sequer com a palha.

6. A este respeito prometera o escrito, ao dizer que as mesmas coisas sobre as quais os astrólogos e os encantadores dão a saber às nações, enganosamente, o profeta vos fará saber palavras de verdade, sem que vos seja preciso ter em vosso meio astrólogo ou encantador, ou similares, como escrito: Não se achará em ti quem faça passar seu filho ou sua filha pelo fogo...pois, essas nações...um profeta dentre teus irmãos..." - Dt 18:10-15.

7. Disto aprendes: o profeta não vem senão para fazer-nos saber coisas que ainda são futuras, concernente à fartura e à fome, à guerra e à paz, e similares. Mesmo as necessidades pessoais das pessoas, fá-los-á saber, como Chaul, quando perdeu seus bens, e dirigiu-se ao profeta para que o fizesse saber onde se achava. De acordo com estas cousas é o que vem dizer o profeta, não para criar uma nova religião, aumentar ou diminuir algum dos mandamentos.

8. Predições de desgraças que sejam ditas pelo profeta, por exemplo, que fulano morrerá ou que tal ano será um ano de fome ou de guerra, e assim por diante, e não cumpriram-se suas palavras, não há nisto negação de sua profecia [provando ser esta falsa], e não se diz [acerca destas cousas]: " - Eis, não se cumpriu o que disseste!" - pois Deus é paciente e bondoso, e deixa de fazer o mal..." - Joel 2:13; Jn 4:2 - pode ser que se arrependeram as pessoas sobre as quais profetizara, havendo-lhes sido perdoada sua culpabilidade, como ocorrera com os habitantes de Nínive, ou que deixara suspenso, como no caso de Ezequias.

9. Porém, caso haja prometido algum bem, dizendo que seria assim e assim - não vindo o bem prometido, está claro que trata-se de um falso profeta, pois todo bem sobre o qual decretara Deus - e mesmo sob condição - não volta [em sua decisão, abandonando sua promessa sem cumprimento]. Disto aprendes: [somente] por profecias sobre o bem poder-se-á verificar o profeta [se verdadeiro ou falso].

10. É isto o que disse Irmiá em sua resposta a Ĥananiá ben-'Azor, quando Jeremias profetizava sobre o mal, e Ananias sobre o bem. Disse-lhe Jeremias: " - Ananias, caso não se cumpram minhas palavras, não constitui isto prova de ser eu um falso; mas tu, se tuas palavras não se cumprirem, todos saberão que és um falso profeta." - Como está escrito: "Tão somente ouve esta palavra..." - V. Jr 28:7-9.

11. Um profeta sobre o qual testemunhara outro profeta, não é necessário inquirição, encontrando-se ele já em sua posição assegurada de profeta, pois Mochê Rabênu testemunhara acerca de Iehochú'a, e nele creu todo o povo de Israel ainda antes que realizasse qualquer sinal. O mesmo vale para todas as gerações.

12. O profeta cuja profecia se tornara reconhecida, cumprindo-se suas palavras vez após outra, sendo suas ações coerentes com as dos profetas [em sabedoria e em bom proceder], está proibido dele duvidar, pensando acerca de suasprofecias que talvez não sejam verazes. E, é proibido pô-lo à prova demasiadamente, e não devemos ser acostumados a esta forma de agir jamais, como está escrito: "Não poreis à prova a Ad' vosso Deus, como fizestes em Massá..." - Dt 6:16 - quando disseram: "Acaso encontra-se Deus em nosso meio? - Ex 17:7. Senão, após sabermos tratar-se de um profeta, deverão crer e saber que Deus está em seu meio, sem duvidar dele nem cogitar após ele, assim como está escrito: "... e saberão que havia um profeta em seu meio!" - Ez 2:5; 33:33.


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